Climatechs no Brasil Demandam Nova Abordagem em Financiamentos para Acelerar a Transição Ecológica
Com mais de 500 empresas mapeadas no país, o Fórum Brasileiro das Climatechs (FBC) apresentou um documento com 40 demandas aos candidatos à presidência, visando destacar a importância de políticas públicas para o setor. A entidade defende a criação de novos mecanismos de financiamento que consigam abarcar os riscos inerentes a mercados de venture e tecnologia, essenciais para o avanço de soluções climáticas.
Estudos apontam que a transição climática global exigirá investimentos anuais entre US$ 2,6 trilhões e US$ 3 trilhões até 2050. As climatechs, empresas que desenvolvem tecnologias para combater as mudanças climáticas, têm um papel crucial nesse cenário, com potencial para atrair parte significativa desses recursos. A principal reivindicação do FBC é por modelagens de financiamento mais flexíveis e adequadas à realidade dessas empresas inovadoras.
Conforme informação divulgada pelo Estadão Conteúdo, o FBC busca, com suas demandas, despertar a atenção dos futuros líderes políticos para a urgência e o potencial do setor. O documento lista 40 pleitos, com foco em aprimorar os instrumentos de apoio financeiro e garantir que o capital destinado à transição ecológica chegue efetivamente às empresas que desenvolvem soluções inovadoras.
Eco Invest Brasil e a Necessidade de Capturar Mais Riscos
Uma das principais demandas do FBC é a criação de um mecanismo específico dentro do Eco Invest Brasil, voltado para as climatechs. O objetivo é que a alocação de recursos, especialmente em investimentos de equity, consiga **abarcar mais riscos**. Segundo Zé Gustavo, diretor executivo do Fórum, “os mercados de venture e de tecnologia só avançam quando se topam riscos embutidos”.
A entidade argumenta que os instrumentos atuais, embora importantes, precisam ser mais abertos a essas particularidades do ecossistema de inovação climática. Além disso, as empresas pleiteiam uma medida que **proteja os fundos climáticos de eventuais contingenciamentos**, garantindo a continuidade dos investimentos mesmo em cenários de instabilidade econômica ou política.
Fundo Clima: Ampliando o Acesso para Pequenos e Médios Projetos
O Fundo Clima, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e com o BNDES como agente financeiro, também é alvo das demandas do FBC. Atualmente, o fundo contempla operações acima de R$ 20 milhões, o que, segundo Ana Himmelstein, diretora executiva do FBC, deixa de fora a maioria das climatechs.
Essas empresas, em fase de expansão, necessitam de **valores menores e ciclos mais longos de validação**. “É nesse vácuo que as empresas ficam paradas”, explica Himmelstein, ressaltando que a necessidade não é desqualificar os instrumentos existentes, mas sim **aprimorar o rastreamento e a alocação dos recursos públicos e privados**.
Desafio Atual: Execução Eficaz do Capital Disponível
Apesar de mais de R$ 373 bilhões terem sido mobilizados nos últimos dois anos para projetos de transição ecológica no Brasil, há uma **grande distância entre o capital anunciado e o montante que chega efetivamente às empresas**. No Eco Invest do Ministério da Fazenda, por exemplo, foram mobilizados mais de R$ 140 bilhões, mas apenas R$ 14 bilhões em operações foram firmadas.
Ana Himmelstein avalia que o desafio atual não é a escassez de recursos, mas sim a **execução eficaz do capital**. O FBC está focado em identificar pontos fracos no controle dos investimentos e em propor mecanismos que garantam que o dinheiro chegue ao seu propósito. “Não é pouco dinheiro e nós estamos preocupados com a execução desse dinheiro”, reforça José Gustavo.
Brasil Possui Ativos, Empresas e Capital, Falta Decisão Política
O diretor executivo do FBC destaca que o Brasil tem os ativos necessários, as empresas e o capital para liderar a transição climática. O que falta, segundo ele, é a **decisão política de tratar o setor como um projeto de desenvolvimento nacional**. Para isso, o FBC não só trabalha com o Poder Executivo, mas também busca aproximação com o Congresso Nacional.
Uma audiência pública já está agendada na Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso para debater o tema, logo após as eleições, com a posse dos novos parlamentares. O Fórum Brasileiro das Climatechs, que representa cerca de 500 startups de tecnologia para o clima em oito segmentos da economia, visa **expandir e fortalecer o setor**, buscando maior representatividade e impulsionando soluções inovadoras para os desafios climáticos do país.




