Democracia incompleta: Onde estão as mulheres? A análise crucial da advogada Maria Inês Vasconcelos sobre a sub-representação feminina na economia e na política brasileira.
A força produtiva das mulheres no Brasil é inegável, mas a sua participação econômica e política ainda não se reflete plenamente na construção de uma democracia completa. A advogada Maria Inês Vasconcelos, em artigo divulgado pelo Diário do Comércio, lança um olhar crítico sobre a forma como a sociedade e as políticas públicas ainda relegam o papel feminino, limitando seu potencial transformador.
Os números apresentados por Vasconcelos evidenciam que as mulheres não são apenas consumidoras, mas sim **agentes econômicas fundamentais**. Elas representam uma parcela significativa da força de trabalho e contribuem ativamente para a geração de riqueza. Ignorar essa realidade é um desserviço ao desenvolvimento do país.
A análise aponta que a **autonomia econômica das mulheres** é um pilar essencial para a verdadeira liberdade e para o fortalecimento da democracia. Quando as mulheres têm controle sobre seus rendimentos e prosperam no mercado, a sociedade como um todo se beneficia.
A Força Feminina na Economia Brasileira
Os dados sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho são contundentes. Conforme aponta Maria Inês Vasconcelos, as mulheres brasileiras ocupam **45,7% dos trabalhadores registrados**, o que significa que aproximadamente **um em cada dois empregos formais é ocupado por uma mulher**. Essa proporção tende a ser ainda maior no trabalho informal, evidenciando a expressiva contribuição feminina para a economia nacional.
A renda gerada pelas mulheres tem um impacto direto no sustento de famílias, no aquecimento do comércio e na dinamização de serviços. Impedir o avanço profissional feminino ou retirá-las do mercado de trabalho representa, portanto, um **desperdício de capacidade produtiva** e um prejuízo considerável para a economia do país.
A Sub-representação na Esfera Política
Apesar da sua relevância econômica, a presença feminina na política ainda é um desafio. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados por Vasconcelos, a participação feminina nas candidaturas registradas para as eleições de 2026 é de **34,8%**. Foram 7.134 candidaturas de mulheres contra 13.362 de homens, em um universo de 20.496 registros totais.
Essa disparidade na representação política impede que as pautas femininas sejam priorizadas de forma integral. Historicamente, parlamentos com maior presença de mulheres tendem a focar em áreas como primeira infância, saúde pública, educação básica e combate à violência doméstica. No entanto, a preocupação é que a ênfase excessiva em agendas sociais possa, paradoxalmente, **afastar as mulheres do centro da economia e da iniciativa privada**, limitando sua atuação a um papel de beneficiárias e não de protagonistas.
Autonomia Econômica: Chave para a Liberdade e Democracia
Maria Inês Vasconcelos defende que a **autonomia econômica é uma indicação de liberdade** e que sua conjugação com trabalho, renda e PIB confere às mulheres um lugar de destaque, especialmente em períodos eleitorais. A democracia, para ser verdadeiramente completa, precisa ser pensada a partir da capacidade econômica feminina.
A democratização do poder econômico é vista como um fator capaz de transformar a identidade social da mulher, elevando-a de mera beneficiária a **protagonista ativa no desenvolvimento nacional**. Essa mudança de paradigma é crucial para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
Um Chamado à Consciência Democrática
A participação expressiva das mulheres na população e sua contribuição significativa para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam uma **mudança de paradigma com enorme importância democrática**. É fundamental que essa consciência seja lapidada e que as mulheres sejam vistas e tratadas como agentes econômicas e políticas plenas.
A democracia brasileira se tornará mais robusta e representativa quando o poder econômico e as decisões políticas refletirem verdadeiramente a força e a capacidade produtiva de metade da população. A advogada Maria Inês Vasconcelos nos convida a ajustar nossas lentes e reconhecer o papel central das mulheres na construção de um futuro mais próspero e democrático.





