Operações Aceleradas do BRB com Banco Master Sob Investigação da PF e TCDF
Novos diálogos revelados pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero apontam para uma **pressa incomum de ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB)** em concretizar operações financeiras com o Banco Master. As conversas, que ocorreram entre julho e novembro de 2025, indicam que a aceleração dos negócios se deu após a identificação de um iminente risco de liquidação do Banco Master.
As mensagens trocadas entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria, Dario Osvaldo Garcia Junior, sugerem uma orientação para “assinar tudo que pudermos” e “deixar tudo assinado”, evidenciando a urgência em finalizar as transações.
O caso ganhou um novo capítulo com a decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que determinou a indisponibilidade de bens de ex-integrantes da alta administração do BRB e abriu uma Tomada de Contas Especial para apurar possíveis danos ao patrimônio público. Conforme informações divulgadas inicialmente pela TV Globo e confirmadas pelo Correio Braziliense, a investigação busca esclarecer se as ações do BRB naquele período contribuíram para aumentar sua exposição aos problemas do Master.
Urgência nas Operações Diante da Crise do Banco Master
A investigação da PF foca no período imediatamente anterior à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025. A autoridade monetária justificou a medida pela grave crise de liquidez, pelo comprometimento da situação econômico-financeira e por violações às normas do sistema financeiro.
Os diálogos analisados pela PF, que ocorreram justamente nos meses que antecederam a intervenção, são cruciais para entender a dinâmica das negociações. A apuração busca determinar se as decisões tomadas pelo BRB naquele cenário de instabilidade do Master agravaram a exposição da instituição aos riscos.
PF Aponta Falhas de Governança e Documentação Irregular
Um relatório da PF, citado pelo Correio Braziliense, aponta **falhas significativas na tentativa do BRB de comprar carteiras de crédito do Master**. Segundo os investigadores, o processo foi marcado por problemas de governança, documentação irregular, ausência de liquidez e riscos regulatórios.
A Polícia Federal descreve que os dirigentes do BRB teriam continuado a aquisição de carteiras mesmo diante de atrasos, inconsistências documentais e questionamentos sobre os ativos envolvidos, demonstrando uma aparente negligência ou pressa em concluir as operações.
Banco Central Já Havia Identificado Inconsistências e Medidas Prudenciais
A atuação do Banco Central reforça a gravidade da situação. A área de Supervisão do órgão identificou **inconsistências nas cessões de carteiras de crédito do Master para o BRB**, apontando a existência de ativos considerados insubsistentes. O Banco Central comunicou esses ilícitos ao Ministério Público Federal e adotou medidas prudenciais preventivas em relação ao BRB para evitar novos impactos em sua liquidez.
Posteriormente, a autarquia propôs a liquidação das instituições do Conglomerado Master, confirmando as irregularidades apontadas. A cronologia é um ponto central, pois as conversas reveladas ocorreram meses antes da liquidação, enquanto as operações já estavam sob escrutínio das autoridades.
TCDF Determina Bloqueio de Bens e Abre Investigação de Danos ao Erário
Em paralelo à investigação criminal, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, em 23 de setembro, a **indisponibilidade de bens de ex-integrantes da alta administração do BRB**. A medida cautelar visa preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso sejam comprovados danos relacionados às operações investigadas.
O bloqueio foi estabelecido pelo período de um ano, e os ex-dirigentes terão 30 dias para apresentar suas manifestações. O TCDF também converteu o processo em Tomada de Contas Especial (TCE), procedimento que visa apurar responsabilidades e quantificar eventuais prejuízos ao patrimônio público.
O banco deverá apresentar um relatório de auditoria independente e esclarecimentos sobre os fatos apontados pelo Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPC-DF). O TCDF poderá estender as medidas a outros envolvidos caso novas diligências confirmem os indícios.
BRB Afirma Colaboração e Recuperação de Patrimônio
Em manifestação ao Correio Braziliense, o BRB considerou a decisão do TCDF positiva e afirmou que a atual administração trabalha na defesa dos interesses da instituição e na **recuperação de bens e direitos devidos ao banco**. O banco declarou que continuará adotando as medidas cabíveis e seguindo as determinações das autoridades.
É importante ressaltar que a existência de diálogos ou de decisões cautelares não configura condenação. As conclusões da PF fazem parte de uma investigação e serão submetidas às instâncias responsáveis pela análise das eventuais responsabilidades administrativas, civis ou criminais.
O caso é relevante para o BRB por envolver uma instituição financeira controlada pelo Distrito Federal, levantando discussões sobre a proteção do patrimônio público. A apuração deverá esclarecer a extensão de eventuais prejuízos e quem poderá ser responsabilizado.





