El Niño em MG: 314 Novas UBS e R$ 711 Milhões para Combater Crise Climática e Proteger População - Brasa Noticias

El Niño em MG: 314 Novas UBS e R$ 711 Milhões para Combater Crise Climática e Proteger População

Minas Gerais se prepara para o El Niño com 314 novas Unidades Básicas de Saúde e R$ 711,5 milhões em investimento federal.

Diante da iminente chegada do fenômeno El Niño e seus potenciais impactos na saúde da população, o Ministério da Saúde anunciou um plano robusto para fortalecer a rede pública em Minas Gerais. A iniciativa prevê a construção de 314 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em 259 municípios mineiros, representando um investimento significativo de R$ 711,5 milhões.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou a importância estratégica dessas novas unidades para ampliar o atendimento e garantir a infraestrutura necessária em momentos de crise climática. Nove dessas UBS já foram concluídas, mas o cronograma para a entrega das demais 305 unidades ainda não foi divulgado pelo ministério.

Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, os projetos das novas Unidades Básicas de Saúde foram elaborados com foco em sustentabilidade e resiliência. As edificações incorporarão estratégias como ventilação e iluminação naturais, sistemas de reuso de água, equipamentos de baixo consumo energético e a instalação de painéis solares para geração de energia fotovoltaica, visando a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

El Niño e a urgência da adaptação climática na saúde pública

Dados recentes do governo federal indicam uma probabilidade de 100% de permanência do El Niño até o início de 2027. As previsões apontam para um aumento significativo nas anomalias de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial, com potencial para superar 2°C entre a primavera e o verão deste ano. Essa cenário reforça a necessidade de ações preventivas e de adaptação.

O Ministério da Saúde, por meio do programa Adapta SUS, destinará R$ 9,8 bilhões em todo o Brasil para ações de resiliência climática. O planejamento inclui 27 metas e 93 medidas até 2035 para fortalecer a proteção da população, especialmente em áreas mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas e eventos extremos.

Impactos das mudanças climáticas na saúde global e brasileira

O diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Junior, ressaltou que evidências internacionais, incluindo as da Organização Mundial da Saúde (OMS), demonstram os múltiplos impactos das mudanças climáticas na saúde global. Ele alertou que aproximadamente um em cada 12 hospitais já enfrenta riscos de paralisação ou interrupção de suas atividades devido a eventos climáticos extremos.

Pereira também citou um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que aponta para a gravidade da situação no Brasil. Segundo a pesquisa, entre 2000 e 2019, pelo menos 120 mil óbitos no país tiveram relação direta com o calor extremo, evidenciando a urgência de ações de prevenção e adaptação.

Ciência como guia para enfrentar o El Niño

O ministro Alexandre Padilha enfatizou que a crise climática é, inegavelmente, um problema de saúde pública. Ele destacou que os dados coletados pelo Ministério da Saúde, em conjunto com a OMS e estudos da Fiocruz, assim como as discussões na COP 30, sinalizam para a necessidade urgente de adaptação dos sistemas de saúde.

Padilha também fez um apelo para que a população confie na ciência e nas informações embasadas por autoridades de saúde. O ministro lembrou os perigos da onda negacionista durante a pandemia de Covid-19 e ressaltou que a preparação para o El Niño está sendo guiada por especialistas e dados científicos. “A preparação para o El Niño é baseada na ciência. O Ministério da Saúde ouve os especialistas, respeita os dados produzidos pela nossa Fiocruz e respeita o que vem de informações da parte do clima e da análise dos satélites”, concluiu o ministro.

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