Reforma Tributária: Indústria de Contagem se antecipa e detalha desafios na adaptação de sistemas e processos - Brasa Noticias

Reforma Tributária: Indústria de Contagem se antecipa e detalha desafios na adaptação de sistemas e processos

Reforma Tributária: Indústria de Contagem se antecipa e detalha desafios na adaptação de sistemas e processos

A indústria de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, já sente os efeitos da preparação para a reforma tributária, que entra em vigor em 2027. A Aalok Indústria, por exemplo, iniciou seu processo de adaptação em meados de 2025, buscando acompanhar as atualizações divulgadas sobre as novas regras fiscais.

A empresa tem participado ativamente de treinamentos e encontros técnicos com seu fornecedor de sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP), com o objetivo de mapear os impactos da fase de transição nos sistemas e processos internos. Essas informações foram compartilhadas pela coordenadora administrativa financeira, Fernanda Ferreira, e pelo diretor executivo, Daniel Zicker Machado, em entrevista ao Diário do Comércio.

A iniciativa da Aalok demonstra a importância de uma preparação antecipada para um tema de tamanha relevância para o ambiente de negócios brasileiro. Conforme apurado, a empresa busca garantir que a transição ocorra da forma mais suave possível, minimizando surpresas e otimizando a conformidade com a nova legislação.

Administrativo lidera adaptação, Comercial acompanha reação de clientes

Na estrutura da Aalok, a responsabilidade pela adaptação à reforma tributária está concentrada na área administrativa, que abrange os setores fiscal, contábil e financeiro. Essas equipes são as principais condutoras do acompanhamento da legislação, da parametrização do ERP e das configurações necessárias para dar suporte aos demais setores da empresa.

O departamento comercial também foi mobilizado para o processo. Segundo Fernanda Ferreira, a direção tem monitorado de perto as preocupações dos clientes e os possíveis impactos da reforma tributária em novas propostas e negociações comerciais. A empresa relata ter recebido questionários de clientes sobre sua preparação, com alguns parceiros indicando que a adequação à reforma é um fator relevante para a continuidade das relações comerciais.

Quatro atualizações no ERP e dois ambientes distintos para emissão de notas fiscais

Desde o início das parametrizações, a base de produção da Aalok já passou por quatro atualizações em seu ERP, acompanhando as versões disponibilizadas pelo fornecedor. Nos cadastros de produtos, a empresa não identificou, até o momento, a necessidade de alterações estruturais significativas.

No entanto, nos processos fiscais, foi preciso reconstruir os vínculos entre as regras tributárias anteriores e a nova estrutura, utilizando o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) como principal referência para essa amarração por tipo de operação. A revisão também alcançou os serviços prestados pela empresa, que agora adota dois ambientes distintos para emissão fiscal.

Para a prestação de serviços, a Aalok utiliza o Sistema de ISS Digital da Prefeitura de Contagem, ambiente municipal para emissão da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e). Já nas operações de locação de bens móveis, a emissão é realizada através do Emissor Nacional da NFS-e, disponível no Portal Nacional da NFS-e.

Maior desafio é mensurar impactos em uma operação diversificada

A principal dificuldade enfrentada pela Aalok no processo de adaptação à reforma tributária, segundo Fernanda Ferreira, é a mensuração dos impactos efetivos da mudança sobre o negócio. A empresa possui uma operação diversificada, que inclui importação, exportação, venda, revenda, locação de equipamentos e prestação de serviços, cada uma com características tributárias próprias que exigem análises específicas.

Ainda somam-se a este desafio o fato de que diversas definições, regulamentações e orientações sobre a reforma ainda estão em fase de consolidação durante o período de transição. Isso torna a tarefa de adaptação mais complexa do que apenas ajustar sistemas, exigindo uma compreensão profunda das nuances legais e econômicas.

Competitividade no radar, tema tratado como estratégico

A preocupação com a perda de competitividade durante a transição da reforma tributária é um ponto central para a Aalok. A empresa monitora não apenas o período de adaptação, mas também o cenário competitivo que se consolidará após a implementação completa do novo modelo. Qualquer alteração relevante na composição de custos ou na apropriação de créditos tributários pode impactar diretamente a formação de preços e as margens de lucro.

Por essa razão, Fernanda Ferreira destaca que a reforma tributária é tratada pela Aalok “não apenas como uma adequação fiscal, mas também como um tema estratégico”. A empresa busca entender como as novas regras afetarão sua posição no mercado e sua capacidade de competir de forma eficaz.

Em relação aos créditos tributários, a Aalok identificou possibilidades de recuperação por meio de novas parcerias que estão em fase de análise e validação. Sobre passivos ou falhas em procedimentos fiscais, a revisão em curso não apontou, até o momento, nenhum ponto relevante, servindo também para reforçar os controles internos da companhia.

Principal insegurança é transformar mudança normativa em previsibilidade

Daniel Zicker Machado resume a maior insegurança da Aalok em relação à reforma tributária: transformar as mudanças normativas em previsibilidade real para o negócio. Para uma empresa com operações tão diversificadas, o impacto não pode ser analisado apenas pela alíquota nominal dos novos tributos.

A avaliação do diretor executivo é que o sucesso da transição dependerá de como a apropriação de créditos, a formação de preços, o fluxo de caixa e as diferentes operações da companhia absorverão, na prática, as novas regras. Além disso, a reação do mercado e dos clientes a essas mudanças será um fator determinante.

Fernanda Ferreira reconhece o esforço de disseminação de informações por parte de entidades empresariais, empresas de tecnologia e consultorias, mas ressalta a importância de ampliar a oferta de informações claras e práticas para apoiar as empresas na transição. Ela também enfatiza que parte da responsabilidade recai sobre cada negócio, pois não existe uma regra única aplicável a todos os setores da mesma forma.

A Aalok Indústria, fundada em 2001 em Contagem, atua nos segmentos de energia e bens de capital, com foco em iluminação LED, energia solar e fabricação de ultrassom industrial. Em 2023, seu braço de eficiência energética representava 70% do faturamento. A Viking do Brasil, parte do Grupo Aalok e especializada em equipamentos ultrassônicos de alta precisão, produz cerca de 150 unidades anuais e exporta para Europa e América Latina.

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