Dólar despenca: Moeda americana atinge menor nível em 3 meses com exterior favorável e cenário eleitoral no radar

Dólar fecha em queda firme contra o real, impulsionado por fatores externos e acompanhamento eleitoral

O dólar encerrou a sexta-feira (21) com uma expressiva queda frente ao real, que se destacou como a moeda com maiores ganhos entre as principais divisas globais. A valorização do real ocorreu em paralelo ao enfraquecimento da moeda norte-americana no cenário internacional, ao mesmo tempo em que os mercados financeiros acompanhavam atentamente as movimentações do noticiário eleitoral.

A moeda americana à vista registrou uma queda de 1,00%, finalizando o pregão cotada a R$5,1417 na venda. No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em setembro também apresentou recuo, caindo 1,05% e negociado a R$5,1515 na B3. No acumulado da semana, o dólar registrou uma desvalorização de 1,53% em relação ao real.

Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, o dólar apresentou um enfraquecimento global, atingindo o menor patamar em três meses. Essa desvalorização é atribuída a preocupações crescentes de que o plano do Tesouro dos Estados Unidos de expandir a recompra de títulos públicos de longo prazo possa exercer uma pressão adicional sobre a divisa americana.

Cenário Internacional Favorece o Real

No contexto internacional, o índice do dólar, que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas importantes, apresentava uma leve alta de 0,07%, atingindo 98,856 pontos por volta das 17h40. Apesar disso, o real e o peso chileno se destacaram na sessão como as moedas mais líquidas a registrar ganhos. O euro, por sua vez, alcançou seu maior valor desde meados de maio, enquanto a libra esterlina atingiu o pico desde o início de fevereiro.

Eleições Presidenciais no Radar do Mercado

Além do ambiente cambial internacional favorável, o cenário eleitoral doméstico forneceu um impulso adicional para a valorização do real. Os agentes do mercado aguardavam, no início da noite de sexta-feira, a divulgação de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha, focada nas eleições presidenciais de outubro. Uma pesquisa anterior, realizada pelo BTG/Nexus, indicou um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com o petista numericamente à frente.

Mercado Vê Risco Fiscal Ligado ao Desfecho Eleitoral

A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com uma diferença menor nas intenções de voto entre os principais candidatos, é vista de forma positiva pelo mercado. Isso ocorre porque a instabilidade política pode gerar um risco fiscal maior em um eventual próximo mandato. Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimentos, destacou que “o mercado segue bastante sensível ao quadro fiscal, que, por sua vez, é uma derivada direta do desfecho eleitoral”.

Essa dinâmica, onde o cenário eleitoral influencia diretamente as expectativas fiscais e, consequentemente, a força da moeda nacional, demonstra a complexa interação entre política e economia no Brasil. A expectativa é que novas pesquisas e declarações dos candidatos continuem a moldar o comportamento do dólar nos próximos dias.

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