PIB do Brasil desacelera para 0,3% no 2º trimestre: FGV aponta consumo como motor em meio a desafios globais e juros altos

Economia brasileira desacelera, mas mantém crescimento trimestral impulsionado pelo consumo, aponta prévia da FGV

A economia do Brasil registrou uma desaceleração em sua taxa de crescimento, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando apenas 0,3% entre abril e junho deste ano. Essa estimativa, divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) através do Monitor do PIB, indica uma perda de fôlego em comparação com o primeiro trimestre, quando o avanço foi de 1%.

Apesar da desaceleração, o resultado do segundo trimestre representa o 20º período consecutivo de crescimento, demonstrando uma resiliência notável da atividade econômica brasileira. O consumo das famílias se destacou como o principal motor desse desempenho positivo, mantendo o ritmo observado no início do ano.

No entanto, o cenário macroeconômico global e interno apresenta desafios que merecem atenção. A elevação do preço do petróleo, os juros em patamares elevados no Brasil e o alto endividamento da população são fatores que pressionam a economia, exigindo cautela nas projeções futuras.

Conforme informação divulgada pelo Monitor do PIB da FGV, a economia brasileira recuou 1,1% na passagem de maio para junho. Apesar desse recuo mensal, o desempenho do segundo trimestre resultou em um crescimento acumulado de 1,8% nos últimos 12 meses.

Desempenho das atividades econômicas e o papel do consumo

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa da FGV, ressalta que a desaceleração foi percebida nas três principais atividades econômicas monitoradas: agropecuária, indústria e serviços. Ela destaca que apenas o consumo não desacelerou no trimestre, sustentando o ritmo de crescimento do início do ano.

Segundo Trece, a manutenção do crescimento do consumo foi impulsionada principalmente pelo bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis. Esse fator foi crucial para que o país registrasse o 20º resultado positivo consecutivo, mesmo diante de um contexto externo e interno desafiador.

Contexto econômico adverso e a política monetária

O cenário macroeconômico é agravado por diversos fatores. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo, impactando os custos de produção e transporte. No Brasil, a taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamares elevados, utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação.

No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano. Embora seja uma medida para frear a inflação, juros altos encarecem o crédito, desestimulando o consumo e os investimentos produtivos, o que pode impactar o crescimento futuro.

Componentes do PIB e projeções futuras

O Monitor do PIB da FGV detalha que, no segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,6% em relação ao trimestre anterior. As exportações apresentaram alta de 4,5%, enquanto as importações subiram 5,7%. A taxa de investimento da economia em maio foi estimada em 18,5%.

O valor corrente do PIB acumulado no primeiro semestre é estimado pela FGV em R$ 6,557 trilhões. O Monitor do PIB é um dos indicadores que servem como termômetro da economia, ao lado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que indicou um recuo de 0,6% em junho.

O Banco Central projeta uma expansão de 0,2% no segundo trimestre e uma alta de 1,5% em 12 meses. O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de setembro. As expectativas do mercado financeiro, conforme o relatório Focus, apontam para um crescimento de 1,98% em 2026, enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,3%.

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