Azul Vira o Jogo: Prejuízo de R$ 1 Bilhão no 2º Tri Após Alta da Gasolina de Avião e Guerra no Irã

Azul enfrenta revés financeiro significativo, registrando um prejuízo líquido de R$ 1 bilhão no segundo trimestre de 2023, contrastando com o lucro expressivo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período do ano anterior. A alta nos preços dos combustíveis, agravada pela guerra no Irã, foi apontada como principal vilã do resultado.

A companhia aérea Azul divulgou um balanço preocupante nesta quinta-feira (13), revelando um prejuízo líquido de R$ 1 bilhão no segundo trimestre deste ano. Este resultado reverte completamente o desempenho positivo registrado no mesmo período de 2022, quando a empresa havia lucrado R$ 1,3 bilhão.

A administração da Azul atribuiu o resultado negativo principalmente ao aumento expressivo nos custos com combustíveis, o querosene de aviação (QAV) e o petróleo, cujos preços foram impulsionados pela guerra no Irã. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que as companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais com combustível desde o início do conflito em fevereiro.

O CEO da Azul, John Rodgerson, admitiu que o resultado final não foi o esperado, destacando que os custos com combustível aumentaram em quase R$ 700 milhões durante o trimestre e que a companhia precisou cortar capacidade. Ele classificou o período como um “trimestre de transição”. Conforme informação divulgada pela Folhapress, a Azul encerrou o segundo trimestre deste ano com prejuízo líquido de R$ 1 bilhão, revertendo o resultado positivo do mesmo período do ano passado, quando a aérea registrou lucro de R$ 1,3 bilhão.

Receita Bate Recorde Apesar dos Ventos Contrários

Apesar do prejuízo, a Azul conseguiu registrar um crescimento de 0,7% em sua receita, alcançando um recorde de R$ 5 bilhões no segundo trimestre. Esse desempenho é atribuído às elevações de tarifas implementadas para tentar mitigar o impacto da alta dos combustíveis. As receitas provenientes de logística também apresentaram um crescimento notável de 16,1% em comparação com o ano anterior.

O indicador RASK (receita por assento ofertado) também atingiu um novo recorde para o período, crescendo 12,7% e chegando a R$ 0,43. No entanto, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) sofreu uma queda expressiva de 55,4% na comparação anual, totalizando R$ 510,1 milhões. A companhia citou variações no capital de giro, investimentos (capex) e arrendamentos como fatores não recorrentes que impactaram este indicador.

Otimismo e Estratégia de Longo Prazo

Rodgerson demonstrou otimismo em relação ao futuro do mercado de aviação brasileiro, ressaltando a demanda resiliente e os “fundamentos muito bons no momento”. Ele acredita que a Azul está bem posicionada para superar os desafios, afirmando que “guerras e crises não duram para sempre”.

A companhia aérea também reforçou sua solidez financeira, encerrando o trimestre com liquidez imediata de R$ 3,7 bilhões. Em junho, a Azul acessou R$ 330 milhões de uma linha de crédito de curto prazo regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), medida que, segundo a empresa, confere flexibilidade financeira e permite o foco em planos de longo prazo.

Reestruturação e Redução de Capacidade

Em linha com seu plano de reestruturação, a Azul reduziu sua capacidade doméstica em 6,5% e a internacional em 24,9% em comparação com o segundo trimestre de 2022. O CEO enfatizou que a empresa tem demonstrado capacidade de executar seu plano de negócios com disciplina, mesmo em um ambiente desafiador, priorizando a rentabilidade, ajustando a capacidade à demanda e fortalecendo sua estrutura de capital.

A Azul concluiu em fevereiro deste ano o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, iniciado em maio de 2025. A empresa segue focada em estratégias para navegar em um cenário econômico complexo, buscando consolidar sua posição no mercado aéreo brasileiro.

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