Dólar Dispara pela 4ª Vez: Veja Como o Cenário Eleitoral e o Risco Fiscal Afetam Seu Bolso

Dólar sobe pela 4ª sessão consecutiva de olho em quadro eleitoral

O dólar emendou o quarto pregão consecutivo de alta frente ao real nesta quinta-feira (13), acumulando um avanço de 2,15% na semana e 2,42% no mês. A moeda norte-americana encerrou a sessão em R$ 5,1930, o maior nível de fechamento desde 2 de julho. Esse movimento ocorre apesar de o dólar recuar em relação à maioria das divisas latino-americanas no mesmo dia.

Operadores de mercado apontam que a redução das posições de investidores estrangeiros em ativos locais ganhou força a partir de terça-feira (11). Dois eventos principais impulsionaram essa tendência: o rebaixamento da recomendação do Brasil pelo JPMorgan e a divulgação de pesquisas eleitorais que confirmam o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial.

A incerteza gerada pelo cenário eleitoral, que tende a aumentar a volatilidade do câmbio, afasta investidores que buscam prêmios que justifiquem o risco. Conforme afirma Guilherme Casagrande, especialista em câmbio, não há, por ora, indicações de mudança na política econômica em 2027 que possam conter a escalada do endividamento público.

Projeto de Lei dos Combustíveis sob Fogo Cruzado

Analistas criticaram o projeto de lei complementar (PLP) que visa reduzir a tributação de combustíveis. Foram identificados na proposta “jabutis”, como benefícios à produção de fertilizantes e à exploração de minerais críticos. Além disso, o projeto permite a liberação de gastos fora da meta fiscal para a área de Defesa em 2026.

Em contrapartida, o texto introduz uma trava para o aumento das despesas da União a partir de 2027. Embora seja um expediente para viabilizar o Orçamento do próximo ano, que já sofre com gastos obrigatórios, a medida não garante uma trajetória de queda na relação dívida líquida/PIB.

Fernando Cesar, operador de câmbio da corretora AGK, destaca que “esse pacote de bondades que colocaram no projeto dos combustíveis piora o risco fiscal e contribui para a saída do estrangeiro do país”. Ele acrescenta que, se não fosse o juro real ainda elevado, o dólar já estaria em patamares mais altos.

Mercado Internacional e Expectativas para os Juros nos EUA

No cenário internacional, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar contra seis moedas fortes, operou com viés de queda ao longo do dia. A queda ocorreu na esteira de leituras benignas da inflação ao produtor e ao consumidor nos EUA em julho, além do recuo nas cotações do petróleo.

As apostas majoritárias para uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) migraram de outubro para dezembro, segundo a ferramenta FedWatch. As probabilidades de alta nas reuniões de setembro e outubro diminuíram, mas o mercado aguarda mais dados de inflação e emprego antes da próxima decisão.

José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, observa que, caso haja uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, aliviando os preços do petróleo, o Fed provavelmente não aumentará os juros neste ano. O real, por sua vez, exibe o pior desempenho em agosto entre as divisas mais líquidas, evidenciando a pressão sobre a moeda brasileira.

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