Belo Horizonte: Conselho do Patrimônio rejeita hospital da Rede D’Or próximo à histórica Igreja da Boa Viagem

Conselho do Patrimônio de BH diz não a hospital da Rede D’Or perto da Igreja da Boa Viagem

O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte tomou uma decisão importante nesta quarta-feira (5), rejeitando a construção de um hospital da Rede D’Or na avenida Afonso Pena, bairro Boa Viagem. O projeto visava um edifício de cerca de 67 metros de altura, mas encontrou forte oposição.

A decisão, que resultou em 11 votos a 1, baseou-se em diretrizes patrimoniais mais antigas, contrariando os planos da Rede D’Or para a área. Embora o resultado seja definitivo para o projeto atual, novas propostas para o terreno ainda podem ser apresentadas.

Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, os detalhes da decisão serão publicados nos próximos dias no Diário Oficial do Município (DOM). A Secretaria de Cultura de BH informou os fundamentos que levaram à rejeição do empreendimento.

Projeto de hospital esbarra em normas de patrimônio e urbanismo

O plano da Rede D’Or previa um edifício com 17 andares, incluindo quatro subsolos e 13 pavimentos acima do térreo, com capacidade para aproximadamente 200 leitos. Apesar de se enquadrar nos parâmetros urbanísticos para equipamentos de saúde e estar localizado em uma Área de Grandes Equipamentos de Uso Coletivo, a proposta foi barrada por questões de patrimônio.

A Secretaria Municipal de Política Urbana já havia emitido parecer desfavorável anteriormente, apontando que o projeto não cumpria todas as exigências legais. O principal obstáculo foi uma deliberação de 2005, que determina que o local da antiga subestação da Cemig deve se tornar um espaço público livre, funcionando como uma extensão da Praça da Boa Viagem.

Para a secretaria, os espaços de circulação propostos no térreo e mezanino, por estarem integrados à operação do hospital, não atendem à exigência de área aberta prevista na norma. O relatório técnico também destacou impactos urbanísticos e visuais negativos, como a alteração da configuração da quadra e a interferência na ambiência do conjunto protegido.

Impacto visual e preocupações da comunidade religiosa

O parecer técnico ressaltou que a altura, a implantação e o volume do prédio proposto poderiam alterar de forma relevante a configuração da quadra e a ambiência do conjunto protegido. Além disso, o projeto poderia prejudicar a permeabilidade visual da praça e as visadas principais da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, um marco histórico da cidade.

A comunidade religiosa local também manifestou forte oposição. O pároco da Igreja da Boa Viagem, padre José Júnior, e a Arquidiocese de Belo Horizonte argumentaram que a construção de um prédio de tal escala comprometeria a preservação do conjunto histórico, que inclui a igreja, a casa paroquial, o salão e a praça. A preocupação com a mobilidade na região, que já enfrenta congestionamentos, também foi um ponto levantado, dificultando o acesso de fiéis e visitantes.

Histórico de rejeições para o terreno

Esta não é a primeira vez que a área é alvo de um projeto reprovado. Em 2019, o próprio conselho já havia negado uma proposta diferente para o mesmo terreno. Apesar das modificações apresentadas no novo projeto da Rede D’Or, a diretriz de 2005, que prevê um espaço público livre, voltou a ser o foco central da decisão, reforçando a importância da preservação do patrimônio cultural e urbano de Belo Horizonte.

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