Flávio Bolsonaro escolhe relator da CPI do INSS, Alfredo Gaspar, como vice e surpreende aliados; entenda a jogada política

Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como vice em chapa presidencial, buscando reforçar segurança pública e atrair votos no Nordeste.

O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, confirmou a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (AL) para compor sua chapa como vice. Gaspar, que foi relator da CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, filiou-se recentemente ao PL após deixar o União Brasil. A decisão marca uma guinada na estratégia inicial de Flávio, que visava uma vice mulher de um partido aliado.

A nomeação de Alfredo Gaspar busca, principalmente, projetar uma imagem de força em segurança pública, área que o próprio senador tem como prioridade em seu discurso. Além disso, a escolha visa enviar um sinal de aproximação com a região Nordeste, onde Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades em relação ao seu principal adversário, Lula (PT).

A escolha de Gaspar, ex-procurador-geral de Justiça em Alagoas, também está ligada ao seu papel como relator da CPMI do INSS. Durante a comissão, ele buscou associar as fraudes em aposentadorias e pensões ao governo do PT, com diversas menções a Lula em seu relatório, enquanto minimizou a gestão anterior. Conforme divulgado pela Folha de S.Paulo, a formação da chapa reflete o isolamento político do senador, que não conseguiu viabilizar outros nomes considerados estratégicos.

Desafios na formação da chapa e a busca por alianças

A chapa inteiramente composta por homens do PL se distancia do plano original de Flávio Bolsonaro de ter uma vice mulher, de um partido aliado. Essa mudança de rota evidencia os desafios enfrentados pelo senador na construção de uma coligação sólida. Sem alianças amplas, a campanha de Flávio terá 20% menos tempo de TV em comparação com Lula, que conta com o apoio de seis outras legendas.

A formação de alianças com partidos do centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, esbarrou em dificuldades significativas. O prazo para a definição dessas coligações, que era nesta quarta-feira (5), foi um fator de pressão. Na véspera, Flávio Bolsonaro admitiu que a busca por uma vice havia se tornado uma “novela”, indicando que a decisão poderia se estender até o último dia para registro de candidaturas.

Recusa de partidos e a busca por nomes femininos

A preferência inicial de Flávio Bolsonaro era por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro e filiada ao Republicanos. No entanto, o partido decidiu em convenção nacional não apoiar Flávio, optando pela neutralidade na disputa presidencial. Flávio chegou a expressar publicamente o desejo de ter Marques como vice, mas a articulação não prosperou.

Outro nome considerado foi o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que era a preferida do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Apesar de uma resistência inicial, Tereza Cristina chegou a sinalizar que aceitaria o convite, mas o PP vetou a aliança. Em ambos os casos, PP e Republicanos, a decisão dos diretórios estaduais apontou para a preferência pela neutralidade.

Estratégias para conquistar eleitores e a influência de Michelle Bolsonaro

A equipe de Flávio Bolsonaro e do PL tinha como objetivo encontrar um vice com reconhecimento nacional, capaz de agregar votos e representar segmentos importantes como evangélicos, o Nordeste ou o agronegócio. Pesquisas internas, contudo, indicaram a dificuldade em encontrar um candidato ideal que atendesse a todos esses requisitos. A necessidade de acenar para o público feminino se tornou ainda mais premente após declarações públicas de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, sobre um suposto mau tratamento por parte de Flávio. Embora a crise tenha sido amenizada com um pedido de desculpas público de Flávio e a promessa de ajuda de Michelle na campanha, a questão feminina permaneceu como um ponto sensível.

Críticas à articulação política e a influência do governo Lula

Políticos do centrão apontam a falta de diálogo e habilidade de articulação de Flávio Bolsonaro como fatores que dificultam a formação de coligações e chapas diversas. Por outro lado, integrantes do PL defendem que a influência e a capacidade de barganha do governo Lula têm afastado os partidos do centrão. A dificuldade em formar alianças e uma chapa diversificada, segundo o Diário do Comércio, se deve à falta de diálogo e habilidade de articulação por parte do senador, enquanto membros do PL atribuem o distanciamento dos partidos do centrão à influência e barganha do governo Lula.

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