Dólar Dispara para R$ 5,13 com Queda do Petróleo e Incertezas Eleitorais: Real Piora Frente a Moedas Emergentes

Dólar sobe e fecha a R$ 5,13 com petróleo em baixa e cenário eleitoral indefinido, real perde terreno.

O dólar à vista encerrou o pregão desta terça-feira (4) em alta de 0,86%, alcançando R$ 5,1309, o maior valor de fechamento desde 13 de julho. A moeda americana se desvalorizou frente ao real, em um movimento contrário ao observado na maioria das divisas emergentes, refletindo a cautela do mercado com o cenário eleitoral e a queda significativa nos preços do petróleo.

A desvalorização do real foi antecipada pelo diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, que apontou a queda do petróleo como um fator de impacto no curtíssimo prazo. O Brasil, como exportador líquido da commodity, sente os efeitos da redução dos preços internacionais, o que leva o real a “devolver” ganhos recentes. Essa dinâmica contrasta com o desempenho positivo do real em relação a outras moedas emergentes no mês anterior.

Conforme informação divulgada pela Agência Estadão, a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, associada a declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pressionou as cotações do petróleo para baixo, com o Brent para outubro fechando em queda de 5,69%, a US$ 79,36 o barril. Essa queda impacta diretamente ativos ligados à commodity.

Cenário Eleitoral Aumenta a Apreensão do Mercado

Ao desmonte do chamado ‘trade’ do petróleo, somaram-se sinais de perda de tração na candidatura de um dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto, em véspera de divulgação de pesquisas eleitorais importantes. Um levantamento recente mostrou um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PL em um eventual segundo turno, aumentando a incerteza.

O candidato do PL reforçou seu desejo de ter uma ex-presidente da Caixa como vice, mas a legenda em questão optou pela neutralidade na eleição. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente as chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um prazo que intensifica as negociações e as especulações no mercado financeiro.

“Essa decisão do Republicanos de ficar neutro na eleição reforça a sensação do mercado de que Flávio vai para a disputa presidencial sem muito apoio”, observa o estrategista Gustavo Cruz. Essa percepção de enfraquecimento de alianças contribui para o sentimento de aversão ao risco entre investidores.

Outros Fatores Contribuem para a Desvalorização do Real

Fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, citam ainda como fator negativo para o real uma notícia apurada pelo portal Exame. Segundo a reportagem, o governo brasileiro espera que os EUA adotem novas sanções diplomáticas contra o Brasil nos próximos dias, em resposta à decisão do Brasil de negar vistos a funcionários do governo norte-americano.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, rondou a estabilidade ao longo do dia. Por volta das 17 horas, o Dollar Index marcava 99,878 pontos (-0,02%). O diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Junior, observa que o DXY “está perdendo” força e pode reverter a tendência gráfica de alta, o que beneficiaria o real.

No entanto, Faria Junior ressalta que, “em todo caso, nas últimas semanas, o real está mais correlacionado com as commodities do que com o DXY”. Isso indica que os movimentos do preço do petróleo e outros ativos ligados a commodities têm tido um peso maior na determinação da cotação do real.

Desempenho do Real em Agosto e no Ano

O dólar avança 1,19% nos dois primeiros pregões de agosto, após uma desvalorização de 1,79% em julho. No acumulado do ano, a moeda americana recua 6,52% frente ao real. Apesar da alta recente, o real mantém um bom desempenho no ano, sendo a segunda moeda mais líquida com melhores ganhos, atrás apenas do peso colombiano, que registra altas de cerca de 15%.

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