Novo Laticínio Mata do Acauã Transforma Cadeia do Leite no Vale do Jequitinhonha com Inovação e Capacitação

Vale do Jequitinhonha recebe moderno laticínio para revolucionar produção de leite e beneficiar agricultura familiar

O Vale do Jequitinhonha está presenciando uma nova era no setor leiteiro com a inauguração do Laticínio e Queijaria Mata do Acauã. Instalado no Campo Experimental de Acauã, em Leme do Prado, o empreendimento promete ser um divisor de águas para os produtores da região.

O objetivo principal é alavancar as atividades dos produtores, focando no aumento da renda e na maior industrialização do leite produzido localmente. A iniciativa visa consolidar o Vale do Jequitinhonha como um polo de referência em capacitação técnica voltada para a agricultura familiar.

Conforme informações da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o projeto recebeu um investimento total de aproximadamente R$ 1,9 milhão. Deste montante, cerca de R$ 600 mil foram aplicados em obras e equipamentos, R$ 1 milhão vieram de emendas parlamentares e R$ 300 mil foram recursos próprios da Epamig, com financiamento adicional da Fapemig.

Centro de Transferência de Tecnologia e Valorização do Leite

Trazilbo José de Paula Júnior, diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, destaca que o Mata do Acauã vai além de uma simples unidade de processamento. Ele foi concebido como um centro de transferência de tecnologia, integrando pesquisa, produção e qualificação profissional em um único local.

Essa integração fortalece um segmento crucial para a economia regional, permitindo que os produtores deixem de vender apenas a matéria-prima e passem a agregar valor aos seus produtos. Já foram desenvolvidos itens como queijo coalho pasteurizado, manteiga de garrafa e bebidas lácteas, tanto fermentadas quanto não fermentadas.

Atualmente, a produção concentra-se no queijo muçarela e na bebida láctea fermentada, com a comercialização já viabilizada pela inspeção municipal. Trazilbo ressalta a importância da iniciativa como um modelo de agregação de valor para o leite cru da região e como um polo de capacitação técnica.

Alternativas para a Agricultura Familiar e Boas Práticas de Produção

A proposta do Mata do Acauã é oferecer alternativas concretas para aumentar a rentabilidade dos produtores, especialmente os da agricultura familiar. A ideia é diminuir a dependência da venda do leite in natura, atividade frequentemente sujeita a flutuações de mercado e concorrência de produtos importados.

A estrutura não se limita à produção de diversos tipos de queijos e derivados. Ela também atuará na disseminação de boas práticas de fabricação, no cumprimento das normas sanitárias e na regularização da produção artesanal, suprindo carências importantes na região.

“Nós vamos trabalhar vários tipos de queijos e, principalmente, a questão de boas práticas e respeito à legislação. São carências da região. Os produtores também não tem muita agregação de valor e com o espaço eles terão a oportunidade de mudar isso, agregando valor, gerando mais renda e desenvolvimento”, explica Trazilbo.

Vocação para Formação Técnica e Criação do Queijo Acauã

Um dos grandes diferenciais do empreendimento é sua forte vocação para a formação técnica. O laticínio conta com alojamentos preparados para receber produtores rurais, extensionistas e técnicos durante cursos e treinamentos, facilitando a capacitação e a troca de conhecimentos.

Segundo a Epamig, mais de 200 produtores já foram beneficiados com capacitação através do projeto. A visão de futuro inclui a criação do Queijo Acauã, uma iniciativa que visa valorizar ainda mais a produção regional e consolidar a identidade dos produtos lácteos do Vale do Jequitinhonha.

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