Agronegócio de Minas Gerais: Café em Queda Profunda, Soja e Carnes Impulsionam Receita em Meio a Desafios Climáticos e Mundiais

Exportações do agronegócio mineiro registram queda de 9,6% no faturamento, mas soja e carnes mostram força

As exportações do agronegócio de Minas Gerais apresentaram um cenário misto no primeiro semestre, com uma retração de 9,6% no faturamento, totalizando US$ 8,96 bilhões. O volume embarcado também sofreu uma queda de 3%, atingindo 8,4 milhões de toneladas. Apesar desses números, o estado se manteve como o terceiro maior exportador do agronegócio brasileiro, demonstrando a importância estratégica do setor para a economia mineira.

O principal motivo para a queda no faturamento foi a expressiva redução nas exportações de café, que historicamente lidera a pauta exportadora do estado. A queda de 18,3% na receita do grão, que atingiu US$ 4,48 bilhões, e a retração de 21,6% no volume embarcado, foram influenciadas por fatores como a menor disponibilidade de produto após ciclos de alta comercialização e os impactos de eventos climáticos na produção e nos estoques.

No entanto, o complexo da soja emergiu como um importante contraponto, registrando um crescimento notável. Os embarques de soja e seus derivados aumentaram 2,5% em volume, totalizando 5,04 milhões de toneladas, e impulsionaram a receita em 10,2%, alcançando US$ 2,1 bilhões. Esse desempenho positivo foi impulsionado pela disponibilidade do produto, pela forte demanda internacional, especialmente da China, e pela valorização do preço médio das exportações.

Os dados, divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), indicam que o complexo soja ocupou a segunda posição entre os grupos de produtos mais exportados, ajudando a mitigar as perdas causadas pelo café. A assessora técnica da Seapa, Manoela Oliveira, ressaltou que o crescimento da receita do complexo soja em um ritmo superior ao do volume demonstra uma melhora significativa no valor médio das vendas externas.

Carnes aquecem as vendas externas com crescimento expressivo

Outro setor que apresentou resultados positivos foi o de carnes. As exportações do grupo somaram US$ 943,3 milhões em receita, um aumento de 13,4%, e 247,3 mil toneladas em volume, com alta de 3,7%. A carne bovina manteve a liderança dentro do segmento, faturando US$ 678,5 milhões. Apesar de uma leve queda no volume, a receita cresceu 12,9%, refletindo um aumento de 17,4% no valor médio por tonelada.

A carne de frango também mostrou vigor, com um faturamento de US$ 210,8 milhões, impulsionado por aumentos de 14,4% no valor e 8,6% no volume, totalizando 102,7 mil toneladas. A carne suína, embora com menor participação na receita total (US$ 45,8 milhões), registrou o crescimento mais expressivo em volume, com alta de 32%, e um aumento de 21% na receita.

Manoela Oliveira destacou que o bom desempenho das carnes reflete a contínua demanda internacional por proteínas animais. Ela também mencionou que a ampliação de entendimentos sanitários e o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação fortalecem a credibilidade sanitária e a abertura de novos mercados para as proteínas brasileiras, incluindo as de Minas Gerais.

Complexo sucroalcooleiro e produtos florestais enfrentam retração

Em contrapartida, o complexo sucroalcooleiro e os produtos florestais registraram quedas nas exportações. O complexo sucroalcooleiro teve uma redução de 29,1% no valor, totalizando US$ 538,6 milhões, e de 11,2% no volume, com aproximadamente 1,47 milhão de toneladas. A queda no valor médio dos produtos exportados foi o principal fator para a retração da receita neste setor.

Os produtos florestais também apresentaram um recuo de 2,8% na receita, chegando a US$ 513,7 milhões. Apesar de um aumento de 3,6% no volume exportado, totalizando 878,9 mil toneladas, a receita foi impactada negativamente, indicando uma possível diminuição no valor unitário dos produtos no mercado internacional.

Apesar dos desafios, Minas Gerais exportou para 166 países, com a China se mantendo como principal mercado, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A diversificação de mercados e a capacidade de adaptação do setor a diferentes cenários globais e climáticos continuam sendo fatores cruciais para a resiliência do agronegócio mineiro.

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