Empresas correm contra o tempo para se preparar para a Reforma Tributária e garantir competitividade
Os próximos meses são cruciais para as empresas brasileiras. Até setembro, é fundamental que os negócios avaliem detalhadamente os impactos da reforma tributária em seus processos e finanças. O objetivo é evitar uma futura perda de competitividade com a entrada em vigor das novas regras e tributos, prevista para janeiro de 2027.
O economista Felipe Beraldi, da Omie, enfatiza que este período de transição é uma janela de oportunidade para a adaptação. A reforma não se trata apenas de uma mudança nas alíquotas de impostos, mas sim de uma profunda alteração no modelo de negócios de cada empresa, exigindo planejamento estratégico desde já.
O estudo setorial divulgado pela Omie aponta que 36 dos 76 segmentos analisados estão em situação de elevada exposição à transição da reforma tributária. Desses, 26 segmentos apresentam um risco maior de aumento na carga tributária efetiva, afetando cerca de 2 milhões de empresas, o equivalente a 14% do PIB e aproximadamente 10 milhões de empregos formais.
O dilema de setembro e a escolha do regime tributário
Setembro marca um ponto decisivo, especialmente para as empresas do Simples Nacional. Nesta data, elas precisarão definir se permanecem no modelo tradicional ou optam pelo chamado Simples híbrido. Essa escolha, segundo Beraldi, pode ter um impacto direto na competitividade dos negócios, tornando a análise prévia indispensável.
A convivência entre o sistema tributário atual e o novo, que se estenderá até 2033, demandará adaptações operacionais e estratégicas significativas. Ignorar este período de preparação, mesmo com a entrada definitiva do novo sistema apenas em 2033, pode ser um erro custoso.
Simulações são essenciais, mesmo sem alíquotas definidas
A principal recomendação para os empresários é estudar a cadeia produtiva, conhecer a fundo clientes e fornecedores e realizar simulações. Beraldi ressalta que a falta de definição da alíquota definitiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBA) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) não deve ser uma desculpa para a inércia.
É totalmente possível simular diferentes cenários e compreender os impactos potenciais para o negócio. A falta de ação baseada na incerteza das alíquotas pode levar a decisões equivocadas e, consequentemente, à perda de competitividade, especialmente no que tange à formação de preços e às relações comerciais.
Pequenas e médias empresas mais vulneráveis
Entre as pequenas e médias empresas do Simples Nacional, aproximadamente 1,1 milhão estão inseridas nos segmentos mais vulneráveis. Serviços especializados para construção, transporte terrestre, tecnologia da informação, manutenção de máquinas, serviços financeiros e seguros são alguns dos exemplos citados.
Muitas dessas empresas correm o risco de perder competitividade se não avaliarem corretamente como o novo sistema de créditos tributários afetará suas operações. A adaptação ao novo sistema tributário exige um olhar atento para a formação de preços e para a dinâmica com clientes e fornecedores.
Baixo nível de preparação e o papel do contador
Um levantamento da Omie revela que 48% das empresas ainda não iniciaram análises sobre a reforma tributária ou estão apenas buscando informações. Esse percentual sobe para 70% quando incluídas as empresas que realizaram apenas avaliações preliminares.
Para que a adaptação seja bem-sucedida, é fundamental o envolvimento do contador como um parceiro estratégico. Além disso, investimentos em tecnologia para organizar dados financeiros e tributários são essenciais. A reforma tributária, em sua essência, é uma decisão de negócio, que vai além da mera escolha de regime tributário.





