Brasil decola na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF): Petrobras, Acelen e JetBio lideram corrida global com R$ 31 bilhões em investimentos

Brasil se posiciona como líder global na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), impulsionando a descarbonização do setor aéreo com investimentos massivos.
O Brasil está emergindo como um protagonista na corrida global pela produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), um biocombustível essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na aviação. Grandes empresas como a Acelen, Petrobras e JetBio estão investindo bilhões de reais em projetos que prometem não apenas atender à demanda interna, mas também suprir o mercado internacional.
A crescente preocupação com as mudanças climáticas e a dificuldade em descarbonizar o setor aéreo, responsável por cerca de 2,5% das emissões globais, têm impulsionado a busca por alternativas. O SAF, produzido a partir de matérias-primas renováveis como oleaginosas, etanol e óleo de cozinha usado, surge como uma solução promissora, mantendo as mesmas especificações do querosene de aviação tradicional, mas com emissões significativamente menores.
Conforme informação divulgada pela Folhapress, a Acelen, empresa do fundo árabe Mubadala, fechou um acordo para a compra de óleo de soja para seu projeto de SAF na Bahia, que receberá cerca de R$ 15 bilhões em investimentos. Este projeto é um dos mais avançados no país, com a empresa já tendo vendido 90% de sua produção anual estimada em um bilhão de litros. A planta, que utilizará inicialmente óleo de soja e óleo de cozinha, tem como foco futuro o fruto da macaúba, uma palmeira nativa do semiárido brasileiro. A expectativa é que as operações iniciem em 2029.
Petrobras e JetBio impulsionam a produção de SAF no Brasil
A Petrobras também está intensificando seus esforços na produção de SAF. Após testes esporádicos na Refinaria de Duque de Caxias, a estatal aprovou um investimento de R$ 6 bilhões em uma unidade dedicada em Cubatão (SP), com capacidade para 870 milhões de litros por ano, com previsão de início de operações em 2030. Essa unidade utilizará a tecnologia HEFA, que processa óleos vegetais e gorduras animais, responsável pela maior parte da produção mundial de SAF. Além disso, a Petrobras estuda um projeto em Paulínia (SP) para produzir SAF a partir de etanol, com capacidade para 580 milhões de litros anuais.
A JetBio, pertencente ao grupo agrícola americano Summit Agricultural Group, também anunciou planos ambiciosos. A empresa espera aprovar no início de 2027 um investimento de cerca de R$ 10 bilhões em uma unidade em Paulínia (SP), com capacidade de um bilhão de litros por ano e previsão de operação em 2030. A JetBio focará na produção de SAF a partir de etanol, com a matéria-prima sendo fornecida pela FS, uma coligada no Brasil. A maior parte da produção será voltada para exportação, visando o mercado internacional.
O Brasil como polo de investimentos em SAF
A tecnologia de produção de SAF a partir de etanol, conhecida como ETJ, tem o potencial de transformar o Brasil em um polo de investimentos, segundo o CEO da JetBio, Will Moore. Ele destaca a disponibilidade de etanol de baixa intensidade de carbono no país como um fator crucial. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem sido um importante financiador desses projetos, negociando com diversas empresas interessadas em se estabelecer no Brasil.
A Honeywell, fornecedora de equipamentos para os principais projetos brasileiros, aponta que a saturação de investimentos na Europa, devido à escassez de matéria-prima, pode direcionar novos projetos para o Brasil. José Fernandes, CEO da Honeywell para a América Latina, prevê que outros dois grandes projetos de SAF devem sair do papel no Brasil até o início do próximo ano, além dos já anunciados pela Acelen e Petrobras. A regulamentação nacional, como o projeto Combustível do Futuro, também é vista como um fator que pode acelerar esses investimentos.
O futuro sustentável da aviação brasileira
O avanço na produção de SAF no Brasil representa um passo significativo em direção a uma aviação mais sustentável. Com investimentos robustos e o aproveitamento de matérias-primas abundantes, o país se posiciona para liderar essa transição energética no setor aéreo global. A colaboração entre empresas privadas, estatais e instituições financeiras, aliada a políticas de incentivo, é fundamental para consolidar o Brasil como referência mundial em Combustível Sustentável de Aviação.