Gestoras de Renda Fixa Reduzem Risco em Julho: Juros Altos e Fiscal Preocupam Investidores no Brasil

Gestoras de Renda Fixa Reduzem Risco em Julho: Juros Altos e Fiscal Preocupam Investidores no Brasil
O otimismo em relação à renda fixa doméstica parece ter arrefecido para julho, mesmo com a melhora no cenário externo e interno observada na segunda metade de junho. Grandes gestoras apontam um tom de cautela com os juros reais e nominais, levando à redução de posições e de risco nas carteiras.
Algumas casas, inclusive, adotam um posicionamento “tático tomado”, apostando na alta dos juros. Essa mudança de estratégia reflete as preocupações com a política monetária e o ambiente fiscal brasileiro, como detalhado em recentes cartas mensais de instituições financeiras. Conforme noticiado pelo Estadão Conteúdo, o mercado reavalia suas apostas em renda fixa.
A equipe de gestão da Occam Brasil, por exemplo, informou que os fundos estão “taticamente tomados” em juros no país. Apesar do corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25%, a comunicação do Banco Central após a reunião gerou críticas por alongar o prazo de convergência da inflação à meta e manter a possibilidade de extensão do ciclo de cortes.
Incertezas Fiscais e Inflacionárias Pressionam Juros
A Occam Brasil ressalta que essa decisão ocorreu mesmo com a deterioração de vetores inflacionários e a desancoragem das expectativas. Além disso, a continuidade de medidas de estímulo pelo Executivo e Legislativo, e um cenário eleitoral competitivo, contribuem para a cautela geral do mercado.
A Kinea Investimentos também destaca o problema fiscal brasileiro como um dos principais fatores que pressionam a curva de juros local. Essa fragilidade fiscal, segundo a gestora, reduz a capacidade do Banco Central de afrouxar a política monetária, fazendo com que o Brasil não consiga capturar integralmente o alívio de choques externos.
“O Brasil fica para trás porque o problema não é apenas petróleo, guerra ou Fed. É fiscal, mercado de trabalho, crédito, câmbio e prêmio de risco estrutural”, enumera a Kinea, indicando que o país não consegue cortar juros tão rapidamente quanto outras economias.
Gestoras Adotam Estratégias Defensivas
Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, revela que a instituição já operava de forma mais conservadora. Em junho, houve um aumento de posições aplicadas em juros reais domésticos de médio prazo, com hedge em operações táticas tomadas na curva nominal. No entanto, a volta da dinâmica fiscal ao centro das atenções, com novas medidas expansionistas e discussões de “pautas-bomba”, levou a Armor a zerar posições aplicadas na curva local.
A Legacy Capital, em sua Carta Mensal, informa que mantém um baixo nível de risco devido à conjuntura local adversa, optando por posições táticas para capturar correções de exageros no mercado. A gestora concentra sua exposição a risco em ativos americanos.
A AZ Quest adota uma “postura cautelosa” em renda fixa em julho, após ter suas posições pressionadas no mês anterior. A gestora reduziu significativamente as posições direcionais, buscando um equilíbrio em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais.
BTG Pactual Mantém Posição Neutra e Curta Duração em Títulos
O BTG Pactual, em sua análise para o mês atual, não vê fatores que possam provocar surpresas baixistas na inflação e renovar o otimismo com o ciclo de política monetária no Brasil. Diante disso, o banco mantém posição neutra na curva de juros futuros nominal e encurtou a ‘duration’ nos títulos públicos atrelados à inflação, conduzindo as alocações em renda fixa de forma mais defensiva.
Essas movimentações refletem um cenário de maior incerteza e volatilidade, onde a gestão de risco se torna primordial para os investidores em renda fixa no Brasil. A expectativa é de que o período até as eleições mantenha o mercado em alerta.