Dólar fecha junho em alta de 2,38% apesar de leve queda diária, mercado de olho nos EUA e tensões fiscais

Dólar encerra junho com valorização acumulada, mas mostra cautela em dia de baixa pontual
O dólar registrou uma leve queda nesta terça-feira (30), fechando o dia cotado a R$ 5,16. Apesar do recuo pontual, a moeda americana acumulou uma valorização de 2,38% ao longo do mês de junho, refletindo um cenário de incerteza e um comportamento alinhado a outras divisas emergentes frente ao dólar. A sessão foi marcada pela rolagem de contratos futuros e pela disputa pela taxa Ptax, mas as oscilações ocorreram em margens estreitas.
Operadores do mercado financeiro indicam um ambiente de cautela, com menor apetite por negócios após a recente desvalorização do real. Fatores como o aumento dos ruídos políticos e fiscais, em meio ao calendário eleitoral, e a expectativa por dados do mercado de trabalho americano, que podem influenciar as decisões futuras do Federal Reserve (Fed), contribuem para essa postura.
A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, avaliou o dia como uma correção técnica, onde o real buscou recuperar parte das perdas recentes. Ela observou que a moeda brasileira acompanhou o movimento da maioria das divisas emergentes. Conforme apurado pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o dólar operou em leve baixa na maior parte do pregão, após ter atingido uma máxima de R$ 5,2017.
Fatores Locais e Globais Influenciam o Comportamento do Dólar
Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, destacou que junho foi um mês de alta global para o dólar, impulsionado por dados econômicos fortes nos Estados Unidos e pela mudança nas expectativas sobre a política monetária americana. Ele apontou que o real, que apresentava uma performance relativa melhor no ano, sofreu mais que outras moedas emergentes devido a fatores domésticos.
Goldenstein mencionou a piora nos termos de troca, com a devolução da alta do petróleo, e o aumento das preocupações fiscais com as medidas do governo. A percepção de uma probabilidade maior de reeleição de Lula também contribui para a manutenção da atual política econômica, o que impacta a percepção de risco.
Petróleo e Dólar Index: Indicadores de Mercado em Junho
As cotações do petróleo recuaram em junho, fechando o mês com uma perda de cerca de 20%, influenciadas por negociações de paz e pela normalização do fluxo no Estreito de Ormuz. Apesar disso, a commodity ainda registra um avanço superior a 20% em 2026. O Dólar Index, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis divisas fortes, pouco se moveu, terminando o mês com valorização superior a 2%.
Expectativas para o Futuro: Payroll e Política Monetária Americana
Goldenstein vislumbra uma possível recuperação do real, caso o dólar perca força no exterior. O principal indicador da semana será o relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos, a ser divulgado nesta quinta-feira (2). Na terça, o relatório Jolts mostrou um aumento nas aberturas de postos de trabalho nos EUA em maio, acima do esperado, o que pode reforçar a expectativa de altas nos juros pelo Fed.
Se o payroll vier forte, consolidará o cenário de altas nos juros. Dados mais fracos, por outro lado, poderiam levar o mercado a reduzir a precificação de aumentos de juros, abrindo espaço para a depreciação do dólar, um cenário favorável para o real. Conforme análise do Citi, a expectativa de preços de petróleo mais baixos e o quadro fiscal doméstico podem levar a uma taxa de câmbio de R$ 5,30 no fim de 2026.