Balança Comercial de Minas Gerais em Alerta: Superávit Despenca em Maio com Queda nas Exportações e Alta nas Importações
Minas Gerais viu seu superávit na balança comercial encolher significativamente em maio, registrando uma perda de 27% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O saldo positivo, que já foi de US$ 2,6 bilhões em maio de 2023, caiu para US$ 1,9 bilhão neste ano, de acordo com dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Essa retração expressiva se deve a uma combinação de fatores desfavoráveis. As exportações mineiras apresentaram um recuo notável, passando de US$ 4,0 bilhões para US$ 3,5 bilhões. Simultaneamente, as importações registraram um aumento, subindo de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,6 bilhão, pressionando ainda mais o saldo comercial do estado.
O cenário desafiador é particularmente acentuado pela queda nas vendas de commodities essenciais para a economia mineira. O minério de ferro, um dos pilares da exportação estadual, sofreu uma retração de 22%, enquanto o café, outro produto de grande relevância, amargou uma queda ainda maior, de 34%. Esses números sinalizam a necessidade de estratégias para mitigar os impactos negativos no comércio exterior mineiro.
Principais Destinos e Origens em Transformação
A China continua a ser o principal parceiro comercial de Minas Gerais em termos de exportação, absorvendo cerca de um terço do total embarcado, com US$ 1,3 bilhão. No entanto, mesmo esse gigante asiático registrou uma redução de 16% nas compras de produtos mineiros. Em contrapartida, países como Canadá e Reino Unido apresentaram um crescimento expressivo nas importações, com altas de 55% e 62%, respectivamente, embora em volumes menores.
No lado das importações, o destaque vai para o aumento substancial na entrada de bens de capital e consumo duráveis. Caminhões de carga tiveram uma expansão impressionante de 220%, e automóveis registraram um crescimento de 125%. A China também lidera a origem das importações, com US$ 470 milhões, um aumento de 26%. Os Estados Unidos, por outro lado, viram suas exportações para Minas Gerais caírem 14%. Argentina e Alemanha, por sua vez, tiveram avanços significativos de 29% e 65%.
Análise Especializada e Perspectivas para o Futuro
Felipe Ramon, analista de negócios internacionais da Fiemg, aponta que a queda nas exportações mineiras está acima da média brasileira e demanda atenção. Ele ressalta, contudo, particularidades importantes, como a contínua alta nas exportações de ouro, que, apesar de uma leve queda em relação ao mês anterior, ainda se mantém 57% superior ao mesmo período do ano passado. Ramon atribui essa variação natural após recordes históricos recentes.
O analista também chama atenção para o impacto dos veículos no aumento das importações, especialmente o salto de US$ 2,4 milhões para US$ 60 milhões nas remessas da China para o Brasil em maio. Segundo Ramon, essa ascensão pode ser motivada pela antecipação de compras de veículos híbridos, devido ao aumento previsto no imposto de importação a partir de julho.
Acumulado Anual e Desafios com Tarifas nos EUA
No acumulado de janeiro a maio de 2024, Minas Gerais registrou um superávit de US$ 10 bilhões na balança comercial, o que representa uma queda de 9,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O setor exportador mineiro também acompanha com apreensão a possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem afetar significativamente o ferro-gusa, com um aumento potencial de 10% para 35% na alíquota.
Outros produtos como máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, joias e alimentos processados também podem ser impactados. No entanto, produtos de grande relevância para o agronegócio mineiro, como café, silício, ferro-nióbio, carnes e celulose, ficariam isentos, oferecendo um alívio parcial. Ramon sugere que a melhor estratégia é pressionar os importadores americanos para que atuem junto ao governo dos EUA na busca pela suspensão ou redução dessas tarifas.
Recuperação Parcial no Oriente Médio
No Oriente Médio, o cenário mostra uma recuperação parcial. As exportações de minério de ferro para Omã foram retomadas e atingiram patamares semelhantes aos do ano anterior. Por outro lado, os envios para o Irã permanecem paralisados, em decorrência dos conflitos na região, sem previsão de retomada.





