Gerdau sinaliza possível aumento de investimentos no Brasil impulsionada por medidas de defesa comercial ao setor siderúrgico.
O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, declarou nesta quinta-feira (21) que a empresa pode rever seus planos de investimento no Brasil para cima. A declaração surge como resposta às recentes medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal, com destaque para as ações antidumping no setor siderúrgico. Werneck expressou otimismo quanto à redução da entrada de aço importado considerado “desleal” no mercado nacional.
O executivo ressaltou que algumas operações da empresa já foram retomadas e que os novos mecanismos de proteção criam um ambiente mais favorável para que a Gerdau retome e amplie seus investimentos no país. “Seguir investindo no Brasil é um desejo nosso e, certamente, com a indústria do aço brasileira melhor defendida, os empregos voltarão, as usinas voltarão a produzir em sua capacidade e os investimentos futuros serão apenas questão de tempo para serem anunciados”, afirmou Werneck.
A fala de Gustavo Werneck ocorreu durante um evento em homenagem ao Dia da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em Belo Horizonte. Na ocasião, o CEO da Gerdau foi agraciado com o título de “Industrial do Ano 2026”. As informações foram divulgadas pelo Diário do Comércio.
Revisão de investimentos em 2026 pode ocorrer em curto prazo
Questionado sobre a possibilidade de os aportes no Brasil serem reavaliados ainda em 2026, Werneck explicou que a Gerdau possui um plano de investimentos para os próximos dez anos. No entanto, a execução de projetos específicos depende do contexto econômico e regulatório, incluindo o cenário de importações. A revisão de quais investimentos serão priorizados, à luz da maior proteção à indústria do aço, é vista como uma questão de tempo.
O CEO destacou que essa reavaliação pode acontecer em um prazo bastante curto. É importante lembrar que, em outubro de 2025, a Gerdau anunciou a suspensão de R$ 2,1 bilhões em aportes no Brasil e um corte de 21,7% no capex global projetado para 2026, que caiu de R$ 6 bilhões (investidos em 2025) para R$ 4,7 bilhões.
Medidas antidumping criam ânimo para o setor siderúrgico nacional
As medidas antidumping visam proteger a indústria nacional da concorrência desleal de produtos importados, que muitas vezes chegam ao mercado com preços artificialmente baixos. Para a Gerdau, que possui uma forte base produtiva nos Estados Unidos, onde tem obtido resultados expressivos, a proteção ao aço brasileiro é vista como um fator que pode equilibrar as decisões de investimento.
“No caso da Gerdau, que tem uma base produtiva muito sólida na América do Norte, e onde temos conseguido resultados muito diferenciados, especialmente nos Estados Unidos, isso cria um desejo e uma tendência de, neste momento, continuarmos investindo mais nos Estados Unidos do que no Brasil”, admitiu Werneck. Contudo, ele reforçou o apego da empresa ao país.
Raízes brasileiras e desejo de continuar investindo no mercado nacional
“Mas nós nascemos aqui. Completamos 125 anos de história. Nosso coração é mineiro, mas nossas raízes são brasileiras. Então, seguir investindo no Brasil é um desejo nosso”, enfatizou o CEO. A recuperação da capacidade produtiva e a geração de empregos são vistas como consequências diretas de um setor siderúrgico mais forte e protegido.
A expectativa é que, com a indústria do aço brasileira melhor defendida, as usinas voltem a operar em plena capacidade, impulsionando novos anúncios de investimentos. A Gerdau, com sua longa trajetória no Brasil, demonstra um forte compromisso em continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país, aguardando o momento oportuno para concretizar novos aportes.





