Iniciativa do Governo de Minas Gerais atrai investimentos bilionários, gera empregos e fomenta pesquisas para transformar rejeitos em fertilizantes e criar baterias nacionais.
O Vale do Lítio, projeto estratégico do Governo de Minas Gerais para posicionar o estado como líder na cadeia produtiva do lítio, celebra três anos de existência com resultados econômicos expressivos para a região do Vale do Jequitinhonha.
Desde o lançamento em Nova Iorque, a iniciativa tem sido um motor de desenvolvimento, promovendo um avanço significativo no Produto Interno Bruto (PIB) de diversos municípios, além de estimular a inovação e a sustentabilidade na exploração deste mineral essencial para a indústria tecnológica.
Os dados mais recentes do IBGE revelam um crescimento notável na economia local, com destaque para cidades que concentram atividades ligadas à extração e processamento do lítio, como Araçuaí e Itinga. Conforme informação divulgada pela Agência Minas, o Vale do Jequitinhonha alcançou um PIB de R$ 12,56 bilhões em 2023.
Crescimento econômico acelerado impulsionado pelo lítio
Em um período de apenas dois anos, entre 2021 e 2023, os municípios de Araçuaí e Itinga viram seus PIBs praticamente dobrar. Araçuaí registrou um aumento de 108,1%, enquanto Itinga apresentou uma alta de 91,3%. Esse avanço se reflete diretamente na qualidade de vida da população, com um aumento expressivo no PIB per capita.
O PIB per capita de Araçuaí cresceu 122,7%, e o de Itinga avançou 109,5% no mesmo período. Araçuaí se destaca ainda por possuir o maior PIB per capita da região, atingindo R$ 31,5 mil, superando até mesmo cidades com populações consideravelmente maiores, como Teófilo Otoni.
Além do crescimento no PIB, os Vales do Jequitinhonha e Mucuri têm se destacado na abertura de novas empresas, apresentando o maior crescimento proporcional em 2023 e 2025, e a segunda melhor performance em 2024, segundo dados da Agência Minas. Isso demonstra um ambiente de negócios cada vez mais favorável.
Pesquisas inovadoras transformam rejeitos e desenvolvem baterias nacionais
O projeto Vale do Lítio não se limita à extração, mas também investe em pesquisa e desenvolvimento. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) já destinou mais de R$ 13,2 milhões para projetos focados no mineral crítico. Uma iniciativa promissora, desenvolvida pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), busca transformar os rejeitos da mineração de lítio em fertilizantes agrícolas.
O professor Alexandre Sylvio da Costa, da UFVJM, explica que “muitas vezes, aquele rejeito que para a empresa não tem valor, para outros processos, principalmente agricultura, pode ter um grande valor agregado”. A pesquisa já está em fase de testes de campo com produtores locais.
Outro projeto importante da UFVJM foca na criação de baterias de lítio com tecnologia nacional. O professor Douglas Santos Monteiro ressalta a importância de “criar tecnologias nacionais que possam entrar para a cadeia finalística desses produtos” e garantir que o estado não perca essa oportunidade tecnológica.
Atração de investimentos e geração de empregos verdes
Desde a implementação do Vale do Lítio em 2023, o projeto atraiu R$ 6,9 bilhões em investimentos privados, com a expectativa de gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos. Um exemplo recente é o investimento de R$ 220 milhões da empresa indiana Altman na Companhia Brasileira de Lítio (CBL) para expandir suas operações de refino no Norte de Minas.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que “Minas Gerais tem convertido o potencial do lítio em resultados diretos para a população do Jequitinhonha, com mais empregos, rendas e oportunidades”. Ela também aponta para a diversificação da economia, com o aquecimento dos setores de serviços e comércio impulsionados pelos investimentos no lítio.





