Expocacer, do Cerrado Mineiro, faz história ao exportar café especial descafeinado para o Japão, demonstrando o potencial de produtos de alta qualidade e com apelo à saúde.
A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), situada na região do Cerrado Mineiro, acaba de protagonizar um marco inédito na história do agronegócio brasileiro. Pela primeira vez, a cooperativa exportou um volume expressivo de 8,4 toneladas de café especial, não torrado e naturalmente descafeinado, diretamente para o Japão.
Este embarque representa um salto significativo para o Brasil no mercado de cafés descafeinados. Para se ter uma dimensão da importância deste feito, o volume exportado pela Expocacer em uma única operação supera as exportações anuais totais de café descafeinado não torrado do Brasil desde 2020, conforme dados do Comex Stat.
A iniciativa da Expocacer, segundo o diretor comercial Italo Henrique, foca na construção de mercado e na validação comercial, antecipando uma tendência global de consumo crescente por produtos que aliam qualidade, bem-estar e saúde. Acompanhe os detalhes desta conquista que projeta o café brasileiro em um novo patamar internacional.
Um marco para o café brasileiro no Japão
O volume de 8,4 toneladas, equivalente a 140 sacas de 60 kg, foi embarcado no dia 6 de abril pelo Porto de Santos (SP). Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelam que o Brasil exportou apenas 832 kg de café descafeinado não torrado em 2025 e 698 kg em 2024. O envio da Expocacer é, portanto, 910% e 1.100% superior aos totais nacionais nesses anos, respectivamente.
Demanda crescente por cafés especiais e descafeinados
Italo Henrique, diretor comercial da Expocacer, explica que a exportação para o Japão é estratégica para a consolidação da relação com o cliente e para atender a uma demanda cada vez mais clara de mercados maduros e exigentes. “O descafeinado vem deixando de ser visto apenas como produto de nicho e passando a ser uma categoria estratégica”, afirma.
A crescente busca por opções com menor teor de cafeína, sem abrir mão da qualidade, impulsiona o mercado global de café descafeinado. Essa tendência se alinha a um foco maior em bem-estar e saúde, permitindo o consumo em diversos momentos do dia.
O parceiro japonês e as exigências do mercado
O primeiro lote da Expocacer tem como destino a Cerrad Coffee & Company, sediada em Tóquio. Carlos Akio Yamaguchi, responsável pelo Controle de Qualidade de Importações da empresa japonesa, destaca a raridade de cafés descafeinados de grãos especiais. “O diferencial da empresa são os cafés especiais, e descafeinado de grão especial é muito raro”, comentou Yamaguchi.
Yamaguchi ressalta que o mercado japonês está receptivo a essa novidade, especialmente por se tratar de um café bourbon do Cerrado Mineiro, de alta qualidade, o que representa uma novidade no cenário local. A parceria visa atender a um público que busca excelência e diferenciação.
O produtor e a sustentabilidade por trás do grão
O café especial naturalmente descafeinado exportado pela Expocacer foi produzido pelo cafeicultor Eduardo Pinheiro Campos, na Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG). A variedade é o bourbon amarelo, conhecido por suas notas sensoriais complexas, incluindo sabores florais, melaço, mel, tangerina, laranja e cereja, além de acidez cítrica e corpo aveludado.
A Fazenda Dona Neném é pioneira em cafés de alta qualidade e preservação ambiental, com 1.400 hectares dedicados ao cultivo e à sustentabilidade. A propriedade é um centro de pesquisa em parceria com instituições renomadas e possui certificações internacionais como Rainforest Alliance e Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro.
Tecnologia de descafeinação de ponta
O processo de descafeinação foi realizado em Sooretama (ES), pela DM Descafeinadores do Brasil, utilizando o método Mountain Water. Este processo premium e natural emprega apenas água e sólidos solúveis extraídos do próprio café para remover a cafeína, preservando integralmente as características naturais do grão.
O método envolve etapas como pré-limpeza, hidratação dos grãos, remoção controlada da cafeína e tripla secagem, garantindo um produto final de alta qualidade e sabor, sem comprometer a experiência sensorial do consumidor. A tecnologia utilizada assegura a excelência que o mercado japonês busca.





