Brasileiros buscam segurança e estabilidade no emprego com carteira assinada, aponta pesquisa da CNI
Apesar da ascensão de novas formas de trabalho, como as vinculadas a plataformas digitais, o emprego com carteira assinada continua sendo a principal aspiração dos brasileiros na busca por uma vaga. Uma pesquisa recente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é apontado como o mais atrativo por mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente.
O estudo destaca que o acesso a direitos trabalhistas e à Previdência Social permanece como um diferencial fundamental na decisão dos trabalhadores, mesmo em um cenário de crescente flexibilização das relações de trabalho. A busca por segurança e proteção social é um fator determinante.
“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, explica Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Jovens demonstram ainda maior preferência pelo emprego formal
A preferência pelo emprego com carteira assinada é ainda mais acentuada entre os jovens. Para essa faixa etária, que está no início da carreira profissional, a busca por segurança e estabilidade é ainda mais forte. A pesquisa indica que 41,4% dos trabalhadores entre 25 e 34 anos preferem a CLT, e 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam este modelo.
Essa tendência reforça a ideia de que o emprego formal oferece um alicerce mais sólido para o início da trajetória profissional, permitindo que os jovens construam suas carreiras com maior tranquilidade e previsibilidade. A segurança proporcionada pela CLT é um fator decisivo.
Trabalho por aplicativo é visto majoritariamente como renda complementar
Em contrapartida, as atividades em plataformas digitais, como motoristas ou entregadores de aplicativos, são vistas pela maioria dos trabalhadores como uma fonte de renda complementar, e não como principal meio de sustento. A pesquisa aponta que apenas 30% consideram essa atividade como sua principal fonte de sustento, evidenciando a prioridade dada ao emprego formal.
Essa percepção demonstra que, embora essas novas modalidades ofereçam flexibilidade, elas não substituem a segurança e os benefícios oferecidos pelo emprego com carteira assinada. A busca por estabilidade financeira e direitos trabalhistas prevalece.
Alta satisfação com o emprego atual limita a busca por novas vagas
Os dados da pesquisa também revelam um elevado nível de satisfação entre os brasileiros com seus empregos atuais, o que contribui para a baixa busca por novas oportunidades. Cerca de 95% dos entrevistados declararam estar satisfeitos com seus empregos, sendo que 70% se dizem muito satisfeitos. Apenas uma pequena parcela, 4,6%, manifestou insatisfação.
Essa alta satisfação geral no mercado de trabalho sugere um cenário de relativa estabilidade e contentamento, o que pode explicar a mobilidade limitada observada. Apenas 20% dos trabalhadores buscaram outro emprego recentemente, com os jovens (16 a 24 anos) sendo o grupo mais ativo nessa busca, representando 35%.
Pesquisa ouviu mais de 2.000 brasileiros em todo o país
O levantamento, realizado pelo Instituto Nexus em parceria com a CNI, ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território nacional. A pesquisa foi conduzida entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025 e divulgada recentemente, oferecendo um panorama detalhado sobre as preferências e satisfação dos trabalhadores brasileiros com relação às diversas modalidades de emprego existentes no país.





