Ibovespa alcança patamares inéditos com alívio na tensão global e petróleo em queda livre
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou um dia espetacular nesta quarta-feira (8), ultrapassando pela primeira vez a marca histórica de 193 mil pontos. A performance positiva foi impulsionada por um cenário internacional mais favorável, marcado pelo anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que diminuiu o apetite por risco no mercado global.
Conforme informações divulgadas pela Reuters, o índice de referência do mercado acionário brasileiro fechou o pregão em alta de 2,09%, atingindo 192.201,16 pontos, um novo recorde de fechamento. No pico das negociações, o Ibovespa chegou a 193.759,01 pontos, demonstrando a força da recuperação e o otimismo dos investidores.
O volume financeiro negociado no dia foi expressivo, somando quase R$ 42,5 bilhões, superando a média diária do ano, que é de R$ 35 bilhões. Esse montante elevado reflete o intenso interesse dos investidores em aproveitar as oportunidades geradas pelo novo cenário.
Cessar-fogo e a queda do petróleo: um alívio para os mercados
A notícia de um cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irã, mediado pelo Paquistão e que, segundo o presidente norte-americano Donald Trump, exige a reabertura do Estreito de Ormuz, teve um impacto imediato nos mercados. O preço do petróleo Brent despencou 13,29% no mercado internacional, fechando o dia a US$ 94,75 o barril. Essa desvalorização do petróleo é um fator crucial para a economia brasileira, com reflexos diretos em empresas do setor.
Uma autoridade iraniana indicou à Reuters que o Irã poderia reabrir o estreito de forma controlada ainda nesta semana, antes das negociações previstas para o Paquistão. Essa possibilidade contribuiu para a percepção de um risco geopolítico menor no curto prazo, um fator chave para o desempenho positivo do Ibovespa.
Apesar dos sinais de trégua, a tensão na região do Oriente Médio permanece. Relatos indicam ataques de Israel ao Líbano e possíveis retaliações do Irã. Os Estados Unidos afirmaram estar prontos para retomar combates caso os esforços de paz falhem, mas, por ora, a percepção predominante é de maior estabilidade.
Destaques do pregão: Vale, bancos e Petrobras na contramão
Na sessão de alta, ações de empresas ligadas a commodities se destacaram. A VALE ON subiu 2,27%, mesmo com a queda nos futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON avançou 5,66%, GERDAU PN ganhou 3,76% e USIMINAS PNA fechou com alta de 4,47%.
O setor financeiro também apresentou um desempenho robusto, impulsionado pelo otimismo global. ITAÚ UNIBANCO PN avançou 3,5%, BRADESCO PN subiu 5%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 4,48% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrou em alta de 2,11%. Os investidores aguardam, contudo, medidas do governo para reduzir o endividamento das famílias.
Em contrapartida, as ações da PETROBRAS PN recuaram 3,92% e PETROBRAS ON caiu 4,42%. A forte queda no preço do petróleo no exterior afetou negativamente outras petrolíferas na B3, como PRIO ON (-5,49%), PETRORECONCAVO ON (-2,34%) e BRAVA ENERGIA ON (-3,38%).
Outras movimentações relevantes no mercado
A ação da HAPVIDA ON disparou 9,06%, após notícias de aumento de participação de acionistas controladores e do BTG Pactual, além de informações sobre a venda da operação no Sul do país. Apesar do forte desempenho no dia, os papéis ainda acumulam uma queda de 24% no ano.
O BTG PACTUAL UNIT subiu expressivos 6,72%, impulsionado por notícias de um acordo para a compra do Digimais. A empresa, contudo, recusou-se a comentar o assunto.
Fora do Ibovespa, a VITRU ON subiu 2,15%, após divulgar um pedido para oferta de ações com precificação prevista para 15 de abril. A oferta base prevê a emissão de mais de 13,6 milhões de ações.
Em Nova York, o índice S&P 500 fechou em alta de 2,51%, refletindo o otimismo global. Segundo o estrategista de investimentos Nicolas Gass, o anúncio de Trump gerou uma “euforia” nos mercados, um clima de “risk on”, mas o risco de fracasso nas negociações ainda persiste.





