Indústria mineira mostra resiliência com faturamento impulsionado pelo setor de transformação em fevereiro
Fevereiro apresentou um cenário mais positivo para a indústria de Minas Gerais em comparação com janeiro, com um crescimento de 2,1% no faturamento. Esse avanço foi majoritariamente puxado pelo desempenho robusto da indústria de transformação, que compensou a retração observada em outros segmentos, como o extrativo mineral. A melhora pontual na atividade industrial é reforçada pelo aumento nas horas trabalhadas e pela leve alta na utilização da capacidade instalada.
O economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Arthur Augusto Dias de Oliveira, detalha que, apesar de alguns setores terem apresentado queda, a indústria de transformação foi o principal motor do resultado geral. O segmento registrou um crescimento de 3,6% em sua receita na comparação mensal, enquanto a indústria extrativa mineral sofreu uma retração de 9,9%. Com um peso maior no índice geral da indústria mineira, o desempenho da transformação foi crucial para o saldo positivo.
Os dados divulgados pela Fiemg apontam para uma dinâmica complexa no mercado de trabalho industrial, com resultados mistos. Houve um recuo de 0,3% no emprego industrial na margem, reflexo dos ajustes no setor extrativo. No entanto, a massa salarial real apresentou crescimento de 1,1%, impulsionada pelo pagamento de participação nos lucros e resultados. O rendimento médio real também avançou, registrando alta de 1,6%.
Cenário Heterogêneo na Comparação Anual e Influências Externas
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o cenário se mostra heterogêneo. Observou-se uma queda no faturamento e nas horas trabalhadas, contrastando com um crescimento no emprego e na massa salarial. Essa dualidade sugere ajustes setoriais e impactos pontuais na dinâmica produtiva e de remuneração.
Olhando para os próximos meses, o desempenho da indústria mineira continuará a ser moldado por fatores como a política monetária restritiva e as incertezas do cenário internacional. As tensões geopolíticas e a volatilidade nos preços do petróleo, especialmente em função da guerra no Oriente Médio, representam riscos significativos.
Impacto da Geopolítica nos Custos e na Demanda Industrial
Arthur Augusto Dias de Oliveira ressalta a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio. Ele explica que, se o conflito se encerrar rapidamente, os impactos na economia podem ser menores. As medidas emergenciais adotadas pelo governo para mitigar o aumento dos preços de combustíveis e fretes podem ajudar a proteger o consumidor e a indústria a curto prazo.
Contudo, Oliveira alerta que a prolongação da guerra pode tornar essas medidas insuficientes. O aumento nos custos de energia e transporte, principalmente o preço do petróleo e do frete, pode chegar ao consumidor e impactar diretamente a indústria. Relatos de empresários já indicam subidas nesses custos, o que pode levar a uma queda no consumo e, consequentemente, na produção industrial.
Perspectivas para a Demanda Interna e Crescimento Moderado
Apesar das incertezas externas, a demanda interna tende a ser sustentada por um mercado de trabalho resiliente e por estímulos pontuais ao consumo. Essa combinação de fatores aponta para um crescimento moderado da atividade industrial ao longo de 2026. A indústria de transformação, em particular, demonstra capacidade de adaptação e de impulsionar o faturamento mesmo em um ambiente de desafios.





