Vagas de baixa e média remuneração puxam o emprego no Brasil desde 2023, impulsionadas por políticas sociais e aumento do salário mínimo.
A expansão do mercado de trabalho brasileiro entre 2023 e 2025 tem sido majoritariamente impulsionada pela criação de vagas com remuneração entre um e dois salários mínimos. Este movimento é considerado positivo por especialistas, pois indica a inserção de trabalhadores que tradicionalmente enfrentam maiores taxas de desemprego.
O aumento expressivo nesse segmento de renda representa uma melhora significativa na base da pirâmide ocupacional. A análise de dados do IBGE, compilada pela consultoria 4Intelligence, revela que essa faixa de remuneração absorveu a maior parte dos novos postos de trabalho formais e informais.
Essa tendência é reforçada por fatores como a flexibilização das regras do programa Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo, que juntos incentivam a busca ativa por ocupação e a formalização. Conforme informação divulgada pela Folhapress, a criação de empregos nessa faixa de renda é um indicativo de melhora na desigualdade trabalhista.
Crescimento Expressivo na Faixa de 1 a 2 Salários Mínimos
Entre 2023 e 2025, o número de ocupados com rendimentos entre um e dois salários mínimos cresceu em impressionantes 4 milhões de trabalhadores. Este contingente representou 87,3% de toda a expansão do emprego no período. Como resultado, essa faixa de renda passou a compor 37,1% do mercado de trabalho total em dezembro de 2025, um aumento considerável em relação aos 34,8% de dezembro de 2023.
Outras Faixas de Renda e a Redução da Desigualdade
Enquanto a faixa de um a dois salários mínimos liderava o crescimento, outras faixas também apresentaram expansão, porém em menor escala. Trabalhadores que ganham até um salário mínimo tiveram um aumento de 295 mil postos, mas sua participação no total caiu para 31,3%. Já os ocupados com ganhos superiores a dois salários mínimos registraram um aumento de 546,5 mil postos, mas seu peso no mercado de trabalho encolheu para 30,3%.
Para especialistas como Marcelo Neri, diretor da FGV Social, há evidências de uma redução importante da desigualdade trabalhista no Brasil. Ele destaca que a ocupação cresceu mais na base da pirâmide do que na média geral e significativamente mais do que no topo, que teve uma leve diminuição.
Bolsa Família e Formalização como Motores de Emprego
Um estudo baseado em dados do Caged indica que, entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, inscritos no CadÚnico, que reúnem famílias de baixa renda, foram responsáveis por 91,5% da geração de vagas formais. Beneficiários do Bolsa Família responderam por 71,1% dos empregos com carteira assinada criados nesse período.
A flexibilização das regras do Bolsa Família em 2023, que passou a permitir a manutenção de 50% do benefício em caso de contratação formal e a possibilidade de retorno ao programa, incentivou a população a buscar ocupação ativamente. Isso reduziu o receio de perder o benefício ao aceitar um emprego formal.
Salário Mínimo e Escolaridade Contribuem para o Cenário
O aumento do salário mínimo acima da inflação, de 9% desde 2023, também desempenha um papel importante. Ele contribui para que uma parcela de trabalhadores que antes recebia mais de dois salários mínimos passe a se enquadrar na faixa inferior, impulsionando as estatísticas desse grupo.
Adicionalmente, a melhoria da escolaridade entre trabalhadores de baixa renda, com um aumento na proporção de jovens com ensino médio completo, também é apontada como um estímulo à contratação. A taxa de informalidade tem caído consistentemente desde 2021, passando de 39,6% para 38,1% em 2024.
Um Reflexo de um País Desigual
Apesar dos números positivos, Bruno Imaizumi ressalta que mais de 70% da população ocupada no Brasil ganha até dois salários mínimos. Ele alerta que este cenário é um reflexo de um país pobre e desigual, e que a superação dessas condições exigirá reformas de longo prazo.





