Brasil se consolida na vice-liderança global de juros reais, mesmo com corte na Selic; Turquia lidera o ranking com taxas elevadas.
Mesmo com a recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que agora se encontra em 14,75% ao ano, o Brasil não sai do pódio. O país mantém a segunda posição no ranking mundial de juros reais, um indicador que desconta a inflação. A liderança, neste cenário, permanece com a Turquia.
A taxa real brasileira registrou um leve aumento, passando de 9,23% ao ano em janeiro para 9,51% ao ano em março. Esse dado, compilado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence, reflete as condições econômicas e a percepção de risco do país. A Turquia, por sua vez, viu seus juros reais subirem de 9,88% para 10,38% no mesmo período.
A decisão de cortar a Selic para 14,75% ao ano foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A taxa de juros real é calculada a partir da inflação projetada para os próximos 12 meses, que segundo o boletim Focus do BC é de 4,03%, somada aos juros de mercado esperados para o mesmo período. Conforme informação divulgada pela Folhapress, o Brasil figura atrás apenas da Turquia neste importante indicador econômico global.
Brasil supera Argentina e Rússia em juros reais, mas fica atrás da Turquia
O patamar de juros reais brasileiros é significativamente mais alto que o de outras economias emergentes importantes. A Rússia e a Argentina, por exemplo, apresentam taxas de 9,41% ao ano, enquanto o México registra 5,39%. O ranking, que abrange 40 economias, mostra uma média global de juros reais de apenas 2,18% ao ano, evidenciando a particularidade da situação brasileira.
Taxa nominal mantém o Brasil no top 4, atrás de países com inflação mais alta
Em termos nominais, ou seja, sem o desconto da inflação, a taxa de juros brasileira se mantém na quarta colocação. A Turquia lidera com 37%, seguida pela Argentina com 29% e a Rússia com 15,5%. O Brasil se posiciona acima de países como Colômbia (10,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%), demonstrando uma política monetária mais restritiva em comparação com essas nações.
Cenário global e incertezas locais pressionam a política monetária
A consultoria que elaborou o ranking aponta que as incertezas inflacionárias locais continuam sendo um fator de peso para as decisões de política monetária. Questões fiscais e um mercado de trabalho aquecido contribuem para essa tensão. Adicionalmente, o conflito entre Estados Unidos e Irã adiciona uma camada de instabilidade global, complicando o cenário para a definição das taxas de juros.
Maioria dos países mantém taxas de juros estáveis, enquanto poucos cortam ou elevam
Analisando o comportamento das políticas monetárias em âmbito mundial, o levantamento indica que a maior parte das economias, cerca de 82,5%, optou por manter suas taxas de juros inalteradas no período analisado. Apenas 10% dos países realizaram cortes, e 7,5% optaram por elevar suas taxas, mostrando uma tendência geral de cautela e estabilidade na condução da política monetária global.




