PIB de Minas Gerais deve crescer até 2% em 2026, impulsionado por fatores internos e cenário econômico desafiador
A economia de Minas Gerais demonstra sinais de resiliência, com projeções otimistas para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual em 2026. A Fundação João Pinheiro (FJP) estima um crescimento entre 1,5% e 2% para o estado neste ano, superando a expectativa de desaceleração para o restante do Brasil. Essa perspectiva positiva se apoia em uma combinação de fatores internos favoráveis, como a redução da taxa básica de juros e um mercado de trabalho robusto.
O PIB mineiro já apresentou um crescimento real de 1,4% em 2023, atingindo R$ 1,1 trilhão. Segundo Raimundo Leal, pesquisador e professor da FJP, não seria razoável esperar um desempenho menor em 2026, dada a continuidade do ritmo de crescimento. A expectativa é que a queda da taxa Selic, apesar de seus efeitos defasados, impulsione a atividade econômica.
Além disso, a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil mensais e a diminuição gradual para quem ganha até R$ 7.350 representam um alívio financeiro significativo para a maior parte da população mineira. Essa injeção de recursos tende a estimular o consumo, contrabalançando a cautela atual em gastos de maior valor e em setores como o turismo.
No cenário nacional, a FJP prevê uma continuidade na desaceleração econômica, com o crescimento do PIB brasileiro possivelmente caindo de 2,3% para cerca de 2% em 2026. Contudo, o impacto do aumento do preço do petróleo, devido a conflitos no Oriente Médio, pode gerar efeitos ambíguos. Embora eleve a inflação e retarde a queda dos juros, o Brasil, como exportador de petróleo, pode se beneficiar indiretamente, com reflexos positivos também para Minas Gerais.
Mercado de Trabalho e Estímulos Fiscais Sustentam o Crescimento em Minas
O mercado de trabalho em Minas Gerais é um dos pilares do otimismo. O estado registra uma das menores taxas de desemprego do país e da série histórica, o que contribui para a estabilidade econômica. A pesquisa da FJP destaca que a redução de impostos sobre a renda proporciona um fôlego extra para o bolso dos mineiros, estimulando a demanda e o consumo, essenciais para a manutenção do crescimento.
A isenção do Imposto de Renda para uma parcela significativa da população, conforme apontado por Leal, é um fator crucial. Esse alívio financeiro, especialmente em um contexto de cautela geral, é visto como um motor para sustentar o consumo das famílias mineiras, garantindo maior resiliência para o setor de serviços e outros segmentos da economia estadual.
Tarifaço dos EUA e o Setor Metalúrgico Mineiro: Absorção e Resiliência
As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, suspensas judicialmente, já tiveram seus impactos absorvidos pela economia mineira em 2025. O setor metalúrgico, inicialmente apontado como um dos mais vulneráveis, encerrou o ano com crescimento. A indústria de transformação em Minas apresentou uma alta de 0,6% no valor adicionado, enquanto o Brasil como um todo teve uma variação negativa de 0,2%.
Leal explica que essa performance positiva se deve, em parte, à resposta do governo brasileiro e ao fato de que os tipos de aço produzidos em Minas Gerais não foram os mais afetados. Além disso, as medidas federais para proteger o mercado interno da entrada de aço chinês também beneficiaram a indústria mineira, demonstrando a capacidade de adaptação do estado a choques externos.
Fiemg Aponta Desaceleração Nacional e Dicotomia na Indústria de Transformação
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) projeta uma continuidade na desaceleração da economia mineira, seguindo a tendência observada no final de 2025. A agropecuária, em particular, deve perder dinamismo devido a uma safra de milho menos favorável e à reversão do ciclo pecuário.
No entanto, a Fiemg também reconhece que o mercado de trabalho aquecido e os estímulos fiscais, especialmente em ano eleitoral, tendem a sustentar a demanda das famílias mineiras. Isso confere maior resiliência ao setor de serviços, mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador.
A indústria de transformação em Minas Gerais vive uma dicotomia. Enquanto a reversão parcial das tarifas americanas pode trazer algum alívio, as elevadas taxas de juros domésticas devem permanecer restritivas por um período prolongado. João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg, aponta que a política monetária continuará sendo restritiva, influenciando as decisões de consumo e investimento, mesmo com os cortes previstos na Selic.





