Dólar tem forte queda e fecha em R$5,23, impulsionado por alívio nos mercados globais
O dólar registrou uma queda firme no Brasil nesta segunda-feira (16), acompanhando o movimento de recuo da moeda norte-americana em relação a diversas outras divisas pelo mundo. A tensão gerada pela guerra no Oriente Médio e as iminentes decisões sobre taxas de juros por bancos centrais importantes estiveram no centro das atenções dos investidores.
A moeda à vista encerrou o dia com uma desvalorização de 1,62%, atingindo R$ 5,2303. Esse movimento espelhou a queda do dólar frente a moedas de outros mercados emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, indicando um cenário de maior apetite por risco.
No acumulado do ano, o dólar já registra uma desvalorização de 4,71% em relação ao real. Conforme informação divulgada pela Reuters, o dólar futuro para abril, o mais negociado na B3, também cedeu 1,83% na sessão, sendo cotado a R$ 5,2555 às 17h36.
Ajustes de mercado e cenário internacional favorecem o real
A sessão desta segunda-feira foi marcada por ajustes de preços e uma busca por ativos considerados mais arriscados, mesmo com a continuidade do conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo, frequentemente visto como um indicador do estresse global, apresentou recuo durante o dia, sinalizando uma diminuição da tensão.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentou que a expectativa de avanços diplomáticos e esforços para garantir a segurança do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz ajudou a reduzir o prêmio de risco geopolítico. Essa melhora no cenário contribuiu para um aumento do apetite por risco, refletido na alta das bolsas mundiais e na queda do índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra outras seis moedas fortes.
O dólar à vista atingiu a mínima do dia às 16h10, marcando R$ 5,2255, uma queda de 1,71%, antes de encerrar ligeiramente acima desse patamar.
Decisões de bancos centrais e juros em foco
No cenário econômico, os agentes do mercado aguardam com expectativa as decisões sobre as taxas de juros dos bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Brasil nesta semana. Para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, a expectativa é de que a taxa de juros seja mantida na faixa de 3,50% a 3,75%.
Com a forte desvalorização do dólar nesta segunda-feira, e considerando intervenções do Tesouro Nacional, o mercado de juros brasileiro passou a precificar com maior convicção um corte de 25 pontos-base na taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano. Uma redução de 50 pontos-base já foi praticamente descartada pelos analistas.
Intervenções e diferencial de juros
O Banco Central realizou duas intervenções no mercado nesta segunda-feira. No fim da manhã, vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem do vencimento de 1º de abril, buscando gerenciar a liquidez e estabilizar o câmbio.
Historicamente, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido um fator importante na atração de investimentos para o país, o que contribuiu para a desvalorização do dólar frente ao real nos últimos meses. No entanto, a instabilidade global, como a guerra no Oriente Médio, tende a impulsionar a moeda norte-americana como ativo de refúgio.
Índice do dólar em queda
O índice do dólar (DXY), que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas fortes, também apresentou queda, recuando 0,53% e atingindo 99,806 pontos às 17h36. Essa desvalorização global do dólar contribuiu significativamente para a queda da moeda no Brasil.





