Governo aciona Cade para investigar alta nos preços dos combustíveis em estados-chave e no Distrito Federal.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, deu um passo importante ao solicitar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma investigação sobre os recentes e expressivos aumentos nos preços dos combustíveis observados em postos de diversas regiões do país.
O pedido abrange estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e também o Distrito Federal. A ação foi motivada por reclamações de representantes de sindicatos que apontam para elevações de preços por parte das distribuidoras, mesmo sem qualquer reajuste anunciado pela Petrobras em suas refinarias.
Diante desse cenário, a Senacon busca avaliar a existência de possíveis práticas anticompetitivas. O órgão quer determinar se há indícios de influência na adoção de condutas comerciais uniformes ou combinadas entre concorrentes, o que poderia prejudicar a livre concorrência no mercado de combustíveis. A informação foi divulgada pela própria Senacon em nota oficial.
Sindicatos Apontam Conflito no Oriente Médio como Causa da Alta
Representantes de sindicatos do setor, como o SindiCombustíveis da Bahia, manifestaram preocupação com o impacto do cenário internacional no mercado de combustíveis baiano. Eles justificam a alta dos preços pela pressão nas cotações do petróleo no mercado internacional, em decorrência do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos RN) também ecoou essa preocupação, alertando que o conflito já começa a refletir na alta do preço do petróleo internacional, acendendo um sinal de alerta para o setor de combustíveis no Brasil.
Minas Gerais Relata Defasagem e Postos Secos
Em Minas Gerais, o Minaspreto, sindicato do setor, fez um alerta ainda mais grave. A entidade informou que a defasagem no preço do diesel já ultrapassa os R$ 2, e na gasolina, chega perto de R$ 1. A situação é descrita como crítica, com relatos de companhias restringindo a venda e praticando preços considerados exorbitantes, especialmente para revendedores de marca própria.
O sindicato mineiro também relatou que já há postos totalmente secos no estado. O Minaspreto assegurou que está monitorando de perto a situação e que pretende acionar os órgãos reguladores competentes para mitigar o risco de desabastecimento, buscando soluções para a crise que afeta o abastecimento.
Sincopetro de São Paulo Considera Investigação do Cade Importante
Na capital paulista, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sincopetro) também tem observado o aumento no preço dos combustíveis. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, destacou a relevância da investigação do Cade para o setor.
Gouveia enfatizou que o dono do posto não deve ser o único culpado pela alta dos preços. Ele explicou que os revendedores aumentam os valores porque o preço de compra para eles também subiu. Portanto, uma explicação clara sobre os motivos dessa elevação é fundamental para trazer transparência ao mercado e para o setor como um todo.





