Brasil busca parceria com Europa para exploração de minerais críticos e terras raras, impulsionando a transição energética e a indústria nacional.
O Brasil está ativamente buscando estabelecer parcerias estratégicas com países europeus para o desenvolvimento e exploração de minerais críticos e terras raras. Esses elementos são considerados fundamentais para o avanço da transição energética global e para a indústria de alta tecnologia, conforme destacado pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares.
A iniciativa visa não apenas a extração desses recursos valiosos, mas também a agregação de valor dentro do Brasil, promovendo a transferência de tecnologia e a participação ativa de empresas brasileiras na cadeia produtiva. A meta é evitar o modelo tradicional de exportação de minerais brutos, buscando um protagonismo nacional no refino e na produção.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Hannover, na Alemanha, em antecipação à Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo. O evento, que terá o Brasil como país parceiro em abril, é visto como uma oportunidade ímpar para estreitar laços e apresentar o potencial brasileiro, especialmente em um contexto de avanços no acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Conforme informação divulgada pela Agência Brasil.
Oportunidades na Hannover Messe e o Potencial Brasileiro em Minerais Críticos
A participação do Brasil como país parceiro na Hannover Messe, entre os dias 20 e 24 de abril, representa uma vitrine para cerca de 140 expositores brasileiros apresentarem suas tecnologias e inovações industriais à Europa. O embaixador Baena Soares adiantou que um evento paralelo será dedicado aos minerais críticos, com o objetivo de demonstrar as vastas potencialidades do Brasil nesta área.
Ele ressaltou a importância da feira ocorrer em um momento crucial, com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia caminhando para sua implementação. Para o diplomata, essa aproximação sinaliza ao mundo a força do multilateralismo e refuta abordagens unilaterais e protecionistas como respostas aos desafios globais. A conclusão do tratado, assinada em janeiro, ocorre em um cenário de mudanças nas políticas comerciais internacionais.
Minerais Críticos: A Base da Tecnologia e da Energia do Futuro
Os minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as terras raras, são essenciais para setores estratégicos que impulsionam a transição energética, a tecnologia e a defesa. Eles são componentes vitais em produtos de alta tecnologia, como turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos aeroespaciais.
O Brasil detém reservas significativas desses recursos. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui 94% das reservas globais de nióbio, 26% de grafita e 12% de níquel. No que tange às terras raras, o Brasil concentra 23% das reservas mundiais. Apesar desse potencial, o país ainda não se destaca como um líder na extração e refino desses materiais.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, enquanto a produção global desses elementos cresce, o Brasil apresenta um desempenho divergente em muitos desses minerais estratégicos. A busca por parcerias europeias visa, portanto, mudar esse cenário, aproveitando a expertise tecnológica, especialmente da Alemanha.
O Acordo Mercosul-UE e o Fortalecimento das Relações Bilaterais
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é visto como um catalisador para a cooperação. O Senado brasileiro já aprovou os termos do acordo, que visa criar uma zona de livre comércio com mais de 720 milhões de habitantes. A União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas sobre 95% dos bens comprados do Mercosul em até 12 anos, enquanto o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos.
A Alemanha, em particular, tem sido uma forte defensora do acordo, considerando-o uma oportunidade para criar uma área de livre comércio robusta. Jochen Köckler, CEO da Deutsche Messe AG, organizadora da feira, vê o momento como extraordinário para aproximar não apenas Brasil e Alemanha, mas também o Brasil e a Europa como um todo, em contraste com tendências protecionistas globais.
O embaixador Baena Soares destacou as complementaridades entre Brasil e Alemanha, mencionando o arcabouço regulatório estável do Brasil, sua matriz energética limpa, custos competitivos e capacidades industriais. Ele antecipou um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz durante a Hannover Messe. Em 2023, a corrente de comércio entre os dois países atingiu US$ 20,9 bilhões, com a Alemanha sendo um dos maiores investidores no Brasil, com cerca de 40 bilhões de euros em estoque de investimento direto e a presença de mais de 1.000 empresas alemãs no país.





