Chuvas intensas deixam rastro de destruição no agronegócio mineiro, com perdas financeiras significativas e falta de seguro rural agravando a situação.
As recentes chuvas registradas em Minas Gerais no final de fevereiro causaram um forte impacto no setor do agronegócio, resultando em perdas expressivas para produtores rurais. A extensão dos prejuízos abrange desde a produção agrícola até a morte de animais, além de danos em infraestruturas essenciais como estradas e pontes.
Um levantamento realizado pelo Sistema Faemg Senar com 376 produtores em áreas afetadas pelas intempéries climáticas revelou que 26% das propriedades sofreram danos. Desses, uma parcela considerável, 61%, relatou perda de produção, enquanto 23% precisaram paralisar suas atividades devido aos estragos.
A gravidade dos prejuízos varia, com 48% dos produtores estimando perdas de até R$ 10 mil. Outros 22% enfrentam prejuízos entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. Um número alarmante de 10% dos atingidos relata perdas que chegam a R$ 100 mil, e 6% indicam perdas superiores a esse valor, conforme dados divulgados pelo Sistema Faemg Senar.
Impacto na Produção e Infraestrutura
Mais de 63 mil hectares de áreas cultivadas foram afetados pelas fortes chuvas, de um total de 100,78 mil hectares considerados na pesquisa. A perda de animais também foi registrada, com o óbito de 142 cabeças em 13 propriedades distribuídas por 12 municípios. Wender Guedes Borges, gerente de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faemg Senar, destacou a atenção da entidade à situação e a intenção de realizar reuniões para definir prioridades de ajuda.
A Falta de Seguro Rural e o Risco Financeiro
Um dos fatores que mais agrava a situação dos produtores é a ausência de seguro rural. Segundo o levantamento, 95% dos produtores rurais atingidos não possuem qualquer tipo de seguro. Para 21% dos prejudicados que possuem financiamentos ativos, a situação se torna ainda mais crítica, com 12% enfrentando o vencimento de parcelas nos próximos 90 dias.
Principais Ocorrências e Cadeias Produtivas Afetadas
As principais ocorrências registradas foram enxurradas, enchentes e inundações, que causaram a queda de pontes e o comprometimento de estradas. A erosão severa e deslizamentos de terra também foram problemas recorrentes, dificultando a circulação e o escoamento da produção. As cadeias produtivas mais impactadas incluem o café, afetado por 31% dos produtores entrevistados, seguido pela produção de leite (23%) e a bovinocultura de corte (17%). Perdas também foram observadas na olericultura, apicultura e fruticultura.
Situação em Ubá e Outros Municípios
O município de Ubá, na Zona da Mata mineira, foi um dos mais severamente atingidos. Moradores da zona rural ficaram ilhados, 31 pontes foram destruídas e a dificuldade para escoar perecíveis como frutas, verduras, legumes e leite se tornou crítica. A feira livre da cidade também foi destruída, impedindo a comercialização local. Outros municípios como Itamarandiba, Águas Formosas e Coração de Jesus também registraram significativos prejuízos.
O Sistema Faemg Senar informou que analisará a situação específica do café para orientar os produtores, visto que chuvas intensas podem aumentar a incidência de pragas e doenças nas lavouras, ameaçando a expectativa de uma boa safra. A entidade busca formas de auxiliar os produtores rurais mineiros a superar este momento desafiador.





