Minas Gerais registra o menor desconforto econômico desde 2012, segundo análise do Santander, com a Grande Belo Horizonte apresentando indicadores positivos que impactam diretamente a vida das famílias.
Um levantamento recente do Santander trouxe notícias animadoras para Minas Gerais. O estado alcançou o menor nível de desconforto econômico desde 2012, marcando um período de mais de uma década com condições mais favoráveis para as famílias mineiras.
A Grande Belo Horizonte, em particular, apresentou um Índice de Desconforto Econômico de 8,3% ao final de 2025. Este resultado é significativamente inferior aos 10,6% registrados em 2012, ano considerado uma referência histórica para a comparação do bem-estar econômico.
O estudo do Santander, que combina a taxa de desemprego e a inflação medida pelo IPCA, oferece um panorama detalhado do impacto das condições macroeconômicas no cotidiano da população. Conforme divulgado pelo Santander, a trajetória positiva de Belo Horizonte contrasta com a de outras capitais do Sudeste, que apresentaram um aumento na dispersão do indicador desde 2012.
Desempenho de Belo Horizonte em Comparação Nacional
Em 2012, as principais capitais do Sudeste operavam em faixas de desconforto econômico próximas, entre 10% e 11%. No entanto, a situação evoluiu de forma distinta ao longo dos anos. Enquanto o Rio de Janeiro viu seu índice subir de 10,1% para 11,4%, Belo Horizonte demonstrou uma capacidade notável de redução, atingindo os 8,3%. São Paulo também seguiu uma trajetória de melhora, saindo de 10,9% para 9,9% no mesmo período.
Fatores por Trás da Estabilização Econômica em Minas
A análise do Santander aponta que, em Belo Horizonte, a inflação apresentou episódios ligeiramente acima da média nacional em 2024, mas sem comprometer a tendência de estabilização geral. Um dos pilares dessa melhora foi o mercado de trabalho. A região metropolitana registrou uma das menores taxas de desemprego entre as principais áreas urbanas do país entre 2023 e 2024, contribuindo decisivamente para a redução do índice agregado.
Henrique Danyi, economista do Santander, destaca que, embora o banco não divulgue projeções regionais detalhadas, a tendência observada em Minas Gerais acompanha o cenário nacional. “Quando a gente olha os gráficos do indicador, há uma correlação grande entre as regiões. Elas podem descolar pontualmente, mas a direção geral costuma ser semelhante”, explicou Danyi.
Perspectivas para o Mercado de Trabalho e o Bem-Estar Econômico
Para 2026, a expectativa é de uma desaceleração gradual na geração de empregos em âmbito nacional. Danyi prevê que isso possa levar a uma leve alta no índice de desconforto econômico no segundo semestre. “A gente espera uma virada lenta no mercado de trabalho, com taxa de desemprego um pouco mais alta. Deve ser um movimento espalhado, mas não é uma mudança significativa, é uma normalização”, afirmou.
Apesar dessa perspectiva de normalização, Danyi avalia que Belo Horizonte tende a manter uma posição relativamente mais favorável. “Quando a gente olha em comparação histórica, ela está em um dos patamares mais baixos. Essa resiliência deve perdurar, embora a direção geral seja de leve suavização”, pontuou o economista.
Impacto do Bem-Estar no Mercado Imobiliário e Crédito
O estudo do Santander também identificou uma associação estatística entre níveis mais baixos de desconforto econômico, especialmente abaixo de 11%, e a aceleração nos preços de imóveis residenciais em Belo Horizonte. Historicamente, regiões com índices de desconforto mais baixos tendem a apresentar maior dinamismo no mercado imobiliário.
A pesquisa aponta que capitais como Vitória, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Belém e Curitiba, que apresentaram melhor desempenho no índice de desconforto, também figuram entre as que mais tiveram valorização imobiliária. Essa correlação sugere que o bem-estar econômico das famílias impulsiona o setor.
Danyi observa que esse movimento ocorre em um ambiente de política monetária ainda contracionista, mas com expectativas de cortes na taxa básica de juros a partir de março de 2026. A sustentação do crédito, segundo ele, depende principalmente da renda. “Enquanto a renda continuar resiliente, o crédito segue viabilizando financiamento de imóveis, mesmo com juros mais altos”, disse.
O crédito imobiliário, por ser uma modalidade de menor risco devido à garantia, favorece sua manutenção mesmo em cenários de restrição monetária. “Esse é o tipo de modalidade que interessa mais em momentos de política contracionista. Faz sentido ver mais resiliência nesse segmento”, concluiu.
Projeções para o Futuro do Bem-Estar Econômico em Minas
O Santander projeta que o índice nacional de desconforto econômico atinja cerca de 9% no primeiro semestre de 2026, com uma leve alta para perto de 10% ao final do ano. Na média anual, o movimento tende a representar estabilidade em relação a 2025, mas com uma mudança de direção no mercado de trabalho.
No contexto mineiro, o patamar atual consolida o melhor resultado desde 2012, posicionando o estado em uma faixa historicamente associada a uma maior capacidade de consumo e investimento das famílias. A eventual alta prevista para o segundo semestre de 2026 deve ocorrer de forma gradual e disseminada, sem comprometer o quadro estrutural de melhora observado nos últimos anos.




