IPCA-15 Acelera em Fevereiro: Mensalidades Escolares e Passagens Aéreas Elevam Inflação Acima das Expectativas do Mercado
A inflação oficial prévia, medida pelo IPCA-15, registrou uma aceleração em fevereiro, atingindo 0,84%. Este avanço superou as projeções do mercado financeiro, que esperava uma alta mais modesta de 0,57%. O resultado foi influenciado principalmente pelos reajustes nas mensalidades escolares e pelo aumento expressivo nas passagens aéreas.
Os dados, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que a pressão inflacionária em fevereiro concentrou-se em componentes mais voláteis da economia. Enquanto o índice mensal surpreendeu negativamente, o acumulado em 12 meses apresentou uma desaceleração, caindo para 4,1%.
Essa dinâmica mista gera atenção dos analistas, que avaliam os desdobramentos para a política monetária. A expectativa é que o Banco Central mantenha a cautela em suas próximas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente encontra-se em 15% ao ano. Conforme informação divulgada pelo IBGE, o IPCA-15 havia subido 0,20% em janeiro.
Impacto Direto da Educação e Transportes na Inflação
O reajuste das mensalidades do ensino fundamental foi o principal vilão do IPCA-15 em fevereiro, respondendo por 0,14 ponto percentual do índice com uma alta de 8,07%. Em seguida, as passagens aéreas também pesaram significativamente, com um aumento de 11,64%, impactando em 0,09 ponto percentual o indicador.
Outros itens que contribuíram para a alta incluem a tarifa de ônibus urbano (7,52%), as mensalidades do ensino superior (4,23%) e a gasolina (1,3%). O grupo de transportes, como um todo, registrou uma elevação de 1,72%, enquanto educação avançou 5,2%, refletindo os aumentos habituais no início do ano letivo.
Desaceleração Anual e Perspectivas para a Selic
Apesar da alta mensal, o IPCA-15 em 12 meses desacelerou de 4,5% para 4,1%. Essa redução é explicada por uma questão estatística, onde a alta de 1,23% registrada em fevereiro do ano anterior é substituída pela variação mais baixa deste ano. Essa desaceleração acumulada é um fator importante para as projeções futuras.
Economistas como Claudia Moreno, do C6 Bank, preveem que o Banco Central realize um corte gradual de 0,25 ponto percentual na Selic em março, reduzindo-a para 14,75%. Mariana Rodrigues, da SulAmerica Investimentos, aponta que, embora haja esperança de melhora estrutural da inflação, os resultados recentes acendem um sinal de alerta.
O Papel do IPCA-15 como Indicador
O IPCA-15, divulgado antes do IPCA oficial, serve como um importante termômetro da inflação. Ele reflete os preços coletados entre meados de um mês e meados do mês seguinte. O IPCA completo, que é a referência oficial para a meta de inflação do Banco Central, será divulgado em 12 de março.
O Banco Central busca manter a meta contínua de inflação em 3% ao ano, com uma margem de tolerância. A expectativa de trégua inflacionária a partir do segundo semestre de 2025 impulsionou as projeções de corte na Selic em março. Juros altos, como os atuais 15% ao ano, têm o objetivo de frear o consumo e a demanda, o que, por sua vez, tende a desacelerar a alta dos preços, embora possa impactar a atividade econômica.




