Novas tarifas de Trump beneficiam exportações brasileiras para os EUA, com 46% dos produtos isentos de impostos adicionais e aeronaves com alíquota zero.
Uma mudança significativa no cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos foi anunciada, com o novo regime tarifário imposto pelo governo americano, sob a gestão de Donald Trump, oferecendo um alívio considerável para as exportações brasileiras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 46% dos produtos brasileiros enviados aos EUA agora estão livres de sobretaxas adicionais, o que representa um montante de US$ 17,5 bilhões.
Essa alteração ocorre em decorrência de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as chamadas tarifas recíprocas, originalmente impostas com base em legislação de emergência nacional. A medida, oficializada por meio de uma ordem executiva publicada em 20 de fevereiro, representa um respiro para diversos setores da economia brasileira que buscam expandir sua presença no mercado norte-americano.
A nova política tarifária, conforme informado pelo Mdic, divide as exportações brasileiras em diferentes categorias. Enquanto 46% ficam totalmente isentos de novas tarifas, outros 25% (equivalentes a US$ 9,3 bilhões) passam a ser taxados em 10% globalmente, com a possibilidade de aumento para 15% dependendo de decisões futuras do governo americano. Os 29% restantes das exportações (US$ 10,9 bilhões) permanecem sob as tarifas setoriais já existentes, como as da Seção 232, que afetam produtos como aço e alumínio com base em argumentos de segurança nacional.
Aeronaves se destacam com alíquota zero em novo regime tarifário
Um dos pontos mais relevantes da nova ordem é a exclusão das aeronaves da incidência das tarifas. Este setor estratégico, que representa o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, passa a ter uma alíquota zero para ingresso no mercado estadunidense. Anteriormente, as aeronaves estavam sujeitas a uma tributação de 10%, e agora se beneficiam da isenção total, o que deve impulsionar significativamente suas vendas.
Setores industriais e agropecuários ganham competitividade
Além das aeronaves, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) avalia que o novo regime tarifário aumenta a competitividade de uma gama variada de segmentos industriais brasileiros. Produtos que antes enfrentavam tarifas de até 50% agora competem sob uma alíquota global de 10%, ou potencialmente 15%. Isso inclui setores como o de veículos automotores, têxteis e calçados, que agora têm condições mais favoráveis para exportação.
No setor agropecuário, a notícia também é positiva. Pescados, mel, tabaco e café solúvel, que antes estavam sujeitos a alíquotas de 50%, agora se enquadram na tarifa geral de 10% (ou eventuais 15%). Essa mudança representa um estímulo importante para esses produtos brasileiros no mercado americano.
Comércio bilateral Brasil-EUA em ascensão e projeções futuras
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu a marca de US$ 82,8 bilhões, demonstrando um crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil. O Mdic ressalta que esses dados são estimativas baseadas nas exportações do ano anterior e podem sofrer variações.
A expectativa é que a redução e isenção de tarifas promovam um aumento ainda maior no fluxo comercial, fortalecendo os laços econômicos entre as duas nações. A redução de tarifas e a alíquota zero para produtos estratégicos como as aeronaves são vistas como passos importantes para diversificar e ampliar as exportações brasileiras, gerando mais oportunidades e desenvolvimento para o país.




