Lula defende aliança com a Índia sobre terras raras como resposta ao unilateralismo comercial e fortalece o Sul Global.
Em visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância da parceria estratégica com o país asiático, especialmente no que tange à exploração e cooperação em minerais críticos e terras raras. Segundo o mandatário, essa colaboração é um passo fundamental para fortalecer o Sul Global e servir como uma resposta direta ao crescente unilateralismo comercial observado no cenário internacional.
A declaração foi feita após uma reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Délhi. Lula destacou que tanto o Mercosul quanto a Índia têm buscado acordos de livre comércio com a União Europeia, demonstrando um esforço conjunto para garantir relevância em um contexto de acirrada disputa entre potências como Estados Unidos e China.
Lula descreveu a aliança entre Brasil e Índia como um encontro entre o “celeiro do mundo” e a “farmácia do mundo”. Ele ressaltou as semelhanças entre as duas nações, ambas classificadas como países megadiversos, polos da indústria cultural e firmes defensores do multilateralismo e da paz. Essa sintonia, segundo ele, abre um leque de oportunidades para a cooperação.
Acordos Bilaterais e Oportunidades Tecnológicas
Durante o encontro, foram assinados diversos acordos de cooperação, abrangendo áreas de interesse mútuo. A assinatura ocorreu após a participação de Lula na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial. O presidente brasileiro apontou a notável evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial, como um grande gerador de oportunidades de cooperação com o Brasil.
“A Parceria Digital para o Futuro com a Índia traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca a tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo”, declarou Lula. Além do acordo sobre minerais críticos, a Aliança Global para Biocombustíveis foi destacada como crucial na agenda climática, com o objetivo de quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis globalmente.
Saúde, Defesa e Fluxo Migratório
A cooperação na área da saúde também foi um ponto central da discussão. Lula mencionou a assinatura de acordos pela Fiocruz para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, incluindo vacinas e medicamentos. Exemplos citados foram a vacina para tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e para doenças negligenciadas e raras.
Na área de defesa, a abertura do escritório da Embraer em Nova Délhi foi apresentada como um avanço positivo na colaboração entre os países. Para facilitar o intercâmbio de pessoas, foi acordado o aumento da validade dos vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos, visando impulsionar o fluxo entre Brasil e Índia.
Metas Comerciais e Paz Mundial
O presidente Lula ressaltou que o aprofundamento das parcerias pode levar à revisão da meta de intercâmbio financeiro entre Brasil e Índia. O Brasil já é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina, e a meta bilateral estabelecida era de US$ 20 bilhões. Em 2025, o fluxo bilateral superou os US$ 15 bilhões pela primeira vez, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior, levando Lula a propor a elevação da meta para US$ 30 bilhões.
Em sua fala, Lula reiterou que a cooperação entre as nações aponta para um caminho em direção a um mundo mais pacífico. “O Primeiro-Ministro Modi e eu conversamos longamente sobre a perseverança no caminho da Paz. Não há possibilidade de desenvolvimento sustentável e justo em um mundo conflagrado”, afirmou. Ele também mencionou o apoio aos esforços pelo fim da guerra na Ucrânia e a urgência em aliviar o sofrimento do povo palestino, repudiando veementemente os atentados na Caxemira.
Agenda Presidencial na Índia e Próximos Passos
Lula esteve na Índia desde quarta-feira, 18, até sábado, 21, participando da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, que reuniu líderes globais, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, além de executivos de empresas de tecnologia como OpenAI e Google. A agenda incluiu reuniões com investidores indianos e um jantar oferecido por Narendra Modi.
Após a Índia, o presidente brasileiro embarcou para a Coreia do Sul no domingo, 22, onde planeja assinar um plano de ação trienal para estreitar o relacionamento entre os dois países. A viagem reforça o compromisso do Brasil em diversificar parcerias e fortalecer sua posição no cenário global. Esta reportagem foi distribuída pela Estadão Conteúdo.




