Ibovespa recua 0,72% com pressão de bancos e utilities, enquanto commodities atenuam perdas em dia de aversão ao risco.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda pelo segundo pregão consecutivo nesta terça-feira (13), registrando um recuo de 0,72% e atingindo 161.973,05 pontos. O movimento reflete um cenário de aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais, com influências de questões geopolíticas e pressões políticas sobre o Federal Reserve dos Estados Unidos.
A sessão foi marcada pela queda nas ações de bancos e empresas de serviços de utilidade pública (utilities), que exerceram grande pressão de baixa sobre o índice. Em contrapartida, as ações de gigantes como Petrobras e Vale apresentaram desempenho positivo, ajudando a atenuar as perdas gerais do dia.
A análise de Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, aponta que a bolsa brasileira acompanhou um movimento mais amplo de desconfiança nos mercados, impulsionado por tensões no Irã e pela interferência política sobre o Fed. O índice S&P 500, referência em Wall Street, também operou em baixa, com uma desvalorização de 0,19%. Conforme informação divulgada pela Reuters, o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,3% em dezembro, com a taxa anual em 2,7%.
Setor de Utilities e Bancos em Destaque Negativo
As ações da Axia ON lideraram as quedas no setor de utilities, com um desvalorização de 2,43%. A Sabesp ON também sentiu o impacto, fechando em baixa de 2,18%, mesmo com o Itaú BBA elevando o preço-alvo para R$ 154,5 e reiterando recomendação de ‘outperform’. O índice de utilities da B3 recuou 2,15% no geral.
No setor bancário, o Banco do Brasil ON foi o de pior desempenho, perdendo 3,06%. Outros grandes bancos também registraram perdas, como Itaú Unibanco PN (-0,81%), Bradesco PN (-1,14%), BTG Pactual Unit (-1,26%) e Santander Brasil Unit (-1,38%), refletindo o sentimento negativo do mercado.
Petrobras e Vale Seguram o Ibovespa com Desempenho Positivo
Em contraste com o setor financeiro e de utilities, a Petrobras mostrou força. A Petrobras PN avançou 2,57%, impulsionada pela alta nos preços internacionais do petróleo Brent, que saltou 2,5% com a perspectiva de interrupções nas exportações iranianas. A notícia de que a estatal voltou a produzir acima de 1 milhão de barris por dia no campo de Tupi também contribuiu para o otimismo, com a Petrobras ON valorizando-se 3,41%.
A Vale ON também apresentou um desempenho positivo, subindo 0,82%, mesmo em um dia de fraqueza nos futuros do minério de ferro no exterior, onde o contrato mais negociado na China caiu 0,24%. A resiliência da mineradora ajudou a sustentar o índice em meio às turbulências.
Hapvida Sofre com Cortes de Preço-Alvo
A Hapvida ON foi um dos destaques negativos do dia, caindo 8,39% e retomando seu viés de baixa. A empresa de planos de saúde anunciou a nomeação de Alain Benvenuti como novo vice-presidente comercial. Além disso, analistas do Bank of America cortaram o preço-alvo das ações de R$ 35 para R$ 19, citando visibilidade limitada para os negócios futuros da companhia.
A persistência dos riscos que pressionam os mercados, segundo o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, sugere que o viés negativo pode continuar nos próximos pregões, exigindo atenção dos investidores às notícias e aos indicadores econômicos globais e locais.




