Falta de curadoria da informação é o principal obstáculo para o crescimento de empresas e investidores no Brasil, segundo BM&C NEWS.
A Nova Economia no Brasil avança, mas encontra desafios significativos que comprometem a produtividade e a competitividade das empresas. Um dos principais entraves identificados é o excesso de informação desorganizada, que dificulta a análise e a tomada de decisões estratégicas.
O levantamento aponta que 60% dos investidores consideram a falta de curadoria de dados como a maior barreira para avaliar negócios digitais. Essa dificuldade se estende às empresas, com 57% delas relatando problemas para manter margens de lucro diante do aumento de custos.
A pesquisa, divulgada pelo BM&C NEWS, revela um cenário onde a transformação digital, embora em curso, ocorre de forma heterogênea, criando um ambiente repleto de assimetrias tecnológicas e estratégicas que afetam diretamente o desempenho e a resiliência dos negócios.
Investidores Lutam Contra o Dilúvio de Dados
Para os investidores, a complexidade dos modelos de negócios digitais e a ausência de critérios robustos de avaliação tornam a tarefa de interpretar informações um verdadeiro desafio. A dificuldade em transformar o vasto volume de dados disponíveis em insights acionáveis gera ruídos que impactam a execução, os custos e, consequentemente, a competitividade.
Theo Braga, investidor serial e CEO da SME The New Economy, comenta que a pesquisa evidencia um problema recorrente: a dificuldade em interpretar informações de maneira objetiva, especialmente em momentos de alta volatilidade, que exigem decisões rápidas e tecnicamente fundamentadas. Ele ressalta que muitos gestores ainda encaram a transformação digital como uma mera aquisição de ferramentas, quando o cerne da questão reside em processos, critérios de decisão e maturidade operacional.
Empresas Buscam Clareza e Eficiência Operacional
Do lado das empresas, o cenário não é diferente. Quase um quarto das companhias aponta obstáculos para escalar suas operações com eficiência. A maioria pretende priorizar, para 2026, a capacitação em liderança e cultura organizacional, demonstrando um foco em aspectos menos tecnológicos e mais humanos para o crescimento.
A pesquisa indica que apenas 5% das empresas colocam a inteligência artificial no centro de suas agendas estratégicas, evidenciando uma priorização em bases mais sólidas de gestão. Quase metade das organizações se considera apenas moderadamente preparada para operar com processos orientados por dados, o que aponta para um longo caminho a percorrer na integração de ferramentas e na transformação de informação em decisões práticas.
Descompasso Entre Intenção e Execução Digital
O descompasso entre a intenção de modernização e a execução concreta é uma realidade que impacta diretamente a produtividade e amplia a vulnerabilidade em ciclos de maior volatilidade. A transformação digital avança, mas de forma desigual, criando um ambiente de assimetrias tecnológicas e estratégicas.
Para 2026, a expectativa é de um período focado na reorganização interna e na definição de prioridades estratégicas com maior rigor técnico. Empresas devem concentrar esforços em liderança, governança e clareza operacional, enquanto investidores tendem a exigir métricas mais sólidas de impacto, risco e escalabilidade.
O Caminho Para a Resiliência na Nova Economia
“Quem conseguir alinhar dados, cultura e execução tende a atravessar os próximos ciclos com mais segurança”, conclui Braga. O mercado entra em 2026 pressionado por incertezas macroeconômicas e por um ambiente competitivo mais exigente, onde a preparação técnica deixa de ser um diferencial e se torna uma condição mínima para operar.
A dificuldade em curar e analisar informações de forma eficaz é um reflexo de um ecossistema que entende a necessidade de mudança, mas ainda não consegue implementar transformações de forma consistente. A falta de formação específica para avaliar negócios digitais e a fragmentação de ferramentas digitais colaboram para este cenário desafiador.




