Nova pesquisa do Datafolha detalha o cenário político brasileiro, com a direita à frente e o embate entre PT e bolsonarismo em evidência.
O cenário político brasileiro continua polarizado, com a direita apresentando uma maior parcela de identificação entre os cidadãos, segundo aponta uma recente pesquisa do Instituto Datafolha. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 25, oferece um panorama detalhado sobre as inclinações ideológicas do país, além de um comparativo direto entre os apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios, entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro para os dados gerais é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Os resultados indicam uma divisão clara nas preferências políticas, com implicações significativas para o futuro eleitoral do país.
Conforme informação divulgada pela Agência Estadão, a pesquisa do Datafolha revelou que 35% dos brasileiros se declaram de direita, enquanto 11% se posicionam como centro-direita, totalizando 46% no espectro mais à direita. No polo oposto, 22% se identificam com a esquerda, somados a 7% de centro-esquerda, totalizando 29%.
Direita Lidera Identificação Política no Brasil
A pesquisa utilizou uma escala de 1 a 7 para que os entrevistados se posicionassem, onde 1 representava a extrema esquerda e 7, a extrema direita. Nesse contexto, a maioria se inclina para a direita, consolidando uma tendência observada em outros levantamentos recentes. Essa predominância se manifesta em diversos grupos demográficos, embora com nuances importantes.
A direita apresenta maior força em todas as faixas etárias, sendo que entre os entrevistados com 60 anos ou mais, 42% se declaram à direita. No entanto, os mais jovens, de 16 a 24 anos, mostram um comportamento distinto, com 30% se posicionando mais ao centro, 26% à direita e 16% à esquerda. Essa diferença geracional pode indicar futuras reconfigurações no panorama político.
Quando a análise é feita por escolaridade, observa-se que 41% dos que se declaram de direita possuem menos anos de estudo, em contraste com 26% que se dizem de esquerda. A religião também é um fator relevante, com 36% dos católicos e 42% dos evangélicos se posicionando à direita, enquanto 24% dos católicos e 16% dos evangélicos se identificam com a esquerda.
Petismo e Bolsonarismo em Disputa Direta
Além da identificação ideológica geral, a pesquisa do Datafolha também mediu a simpatia dos eleitores em relação ao PT e ao bolsonarismo. Em uma escala de 1 a 5, onde 1 era bolsonarista e 5, petista, os resultados mostraram uma leve vantagem numérica para os petistas.
De acordo com o levantamento, 40% dos entrevistados se classificaram como simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto 36% se declararam apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um percentual de 18% se posicionou na faixa de neutros, e 6% afirmaram não apoiar nenhum dos dois grupos.
O Datafolha acompanha essa série histórica desde 2022, e os resultados indicam que os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram maioria em 9 dos 11 levantamentos realizados até o momento. Essa disputa acirrada entre as duas principais forças políticas do país sugere que o embate eleitoral de 2026 poderá, mais uma vez, colocar petismo e bolsonarismo frente a frente nas urnas.
Perspectivas para as Eleições de 2026
Com a possibilidade de Lula tentar a reeleição, o cenário para 2026 já começa a ser desenhado. Embora Jair Bolsonaro esteja impedido de concorrer, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, é apontado como um possível candidato. Paralelamente, alguns grupos da centro-direita mantêm expectativas em torno de uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A pesquisa também trouxe dados surpreendentes sobre a migração de votos entre os espectros. Entre os que se declararam de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Bolsonaro em 2022. Da mesma forma, no grupo identificado com a direita, 22% declararam voto em Lula. Esses cruzamentos evidenciam a complexidade do eleitorado brasileiro e a fluidez das alianças políticas.




