Estudo da UFF identifica novas áreas de conflitos de mineração, com Vale e Samarco no centro das atenções, enquanto CSN questiona a metodologia.
Um novo relatório da Universidade Federal Fluminense (UFF) lança luz sobre a expansão dos conflitos relacionados à atividade de mineração no Brasil. A pesquisa aponta que grandes empresas, como a Vale e a Samarco, apesar de seus discursos sobre responsabilidade socioambiental, figuram entre as que mais geram atritos com comunidades locais e causam impactos ambientais significativos.
O estudo, coordenado por Luiz Jardim, destaca a contradição entre as políticas declaradas pelas mineradoras e a realidade observada em campo. A pesquisa, conforme divulgada pela Agência Brasil, analisou a incidência de conflitos em diversas regiões do país, evidenciando a profunda capilaridade dessas empresas no território nacional e os desafios que isso impõe.
Em contrapartida, tanto a Vale quanto a Samarco apresentaram suas versões sobre os acordos de reparação e as ações em andamento, enquanto a CSN Mineração criticou a metodologia do relatório e a possível imprecisão dos resultados.
Vale e Samarco Detalham Esforços de Reparação Pós-Desastres
No âmbito da reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, a Vale informou que já executou mais de 81% dos R$ 37,7 bilhões previstos no Acordo de Reparação Integral firmado em 2021. Desde 2019, cerca de 17,5 mil pessoas fecharam acordos de indenização individual, totalizando R$ 4 bilhões. A empresa ressalta a prioridade dada à escuta ativa das comunidades, com 681 reuniões realizadas entre janeiro de 2023 e agosto de 2024, envolvendo aproximadamente 6.700 participantes.
A Samarco, por sua vez, assumiu em novembro de 2024 a responsabilidade direta pela reparação dos danos do rompimento da barragem de Fundão. A empresa destaca o compromisso com a segurança operacional, a ausência de barragens de rejeitos e o monitoramento contínuo. Desde 2015, foram destinados R$ 70,6 bilhões para ações de reparação e compensação, incluindo R$ 33,8 bilhões pagos em 777,4 mil acordos de indenização individual, além da conclusão de obras de novos distritos e ações ambientais.
Críticas à Metodologia e Repercussão dos Conflitos
Luiz Jardim, coordenador da pesquisa da UFF, expressou surpresa com a disparidade entre o discurso das empresas e o número de conflitos gerados. “É realmente surpreendente como essas empresas dizem que são socialmente e ambientalmente preocupadas, mas são elas [Vale e Samarco] que têm o maior número de conflitos. Isso mostra primeiro, uma contradição das empresas”, afirmou Jardim.
Ele também relembrou que a Vale e a Samarco são responsáveis pelos maiores desastres ambientais do país, com a Samarco acumulando mais de uma década de conflitos ao longo do Rio Doce. A Vale, além dos impactos em Minas Gerais, também enfrenta desafios em suas operações no Pará, na ferrovia Carajás e em áreas portuárias, demonstrando sua vasta presença territorial.
CSN Mineração Questiona Relatório e Defende Boas Práticas
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) Mineração, em nota, declarou que não teve acesso prévio ao relatório nem foi contatada pelos pesquisadores, o que a impediu de se manifestar com base no documento. A empresa ressaltou que, por atuar em múltiplos segmentos (siderurgia, mineração, logística, cimentos e energia), a compilação de dados em um único estudo sobre mineração pode gerar interpretações imprecisas.
A CSN Mineração reafirmou que conduz suas operações em estrita observância à legislação ambiental, trabalhista e minerária, adotando práticas responsáveis de gestão, transparência e governança socioambiental. A companhia mantém canais de diálogo com comunidades e autoridades, investe em aprimoramentos operacionais e ambientais e busca soluções colaborativas e seguras para os desafios de suas atividades.
A Agência Brasil informou que tentou contato com outras empresas citadas na reportagem, mas não obteve sucesso, mantendo-se aberta para divulgar suas manifestações caso ocorram.




