Ibovespa despenca mais de 4% com anúncio de candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou nesta sexta-feira (5) a sua maior queda diária desde fevereiro de 2021, recuando 4,31% e fechando o pregão a 157.369,36 pontos. O movimento de forte aversão ao risco no mercado acionário foi desencadeado pelo noticiário sobre a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência em 2026, uma decisão anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa reviravolta no desempenho do mercado ocorreu após o índice ter atingido a máxima histórica intradia de 165.035,97 pontos no mesmo dia, demonstrando a volatilidade e a sensibilidade do Ibovespa a notícias políticas. A primeira semana de dezembro, que começou com alta superior a 3%, terminou com uma desvalorização acumulada de 1,07%.
O volume financeiro negociado na B3 disparou para R$44,3 bilhões nesta sexta-feira, mais que o dobro da média diária de cerca de R$24 bilhões registrada no ano, evidenciando a intensidade da movimentação dos investidores frente ao novo cenário político. Conforme informações divulgadas pela Reuters, os agentes de mercado começam a recalibrar suas expectativas para o ciclo eleitoral, incorporando maior incerteza política.
Aumento da Incerteza Política e Impacto nas Expectativas de Mercado
Eduardo Rahal, analista-chefe da Levante Inside Corp, destacou que a notícia da candidatura de Flávio Bolsonaro leva os investidores a reajustarem seus cenários, adicionando um fator de maior incerteza política ao balanço de riscos. “A tendência daqui para frente é de aumento de volatilidade à medida que o mercado ajusta suas expectativas para o ciclo eleitoral”, afirmou Rahal.
A percepção dominante entre os economistas é que este anúncio esvazia a expectativa de que Tarcísio de Freitas pudesse se consolidar como uma alternativa competitiva ao atual governo em 2026. A falta de apoio explícito de Jair Bolsonaro à candidatura de Tarcísio pode aumentar a probabilidade de o governador de São Paulo optar pela reeleição em seu estado, segundo Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital.
“A consequência prática é uma piora na percepção de governabilidade futura e, sobretudo, na capacidade de construção de um programa de ajuste fiscal a partir de 2027”, avaliou Iarussi. Essa visão contribui para a aversão ao risco que penalizou as ações brasileiras no fechamento da semana.
Setores Bancário e de Commodities Sentem o Impacto
O setor bancário foi um dos mais afetados pela aversão ao risco, com o BANCO DO BRASIL ON afundando 7,07%. Outros grandes bancos também registraram perdas significativas, como BRADESCO PN (-5,97%), ITAÚ UNIBANCO PN (-4,62%) e SANTANDER BRASIL UNIT (-4,41%).
As ações da PETROBRAS PN caíram 3,54% e PETROBRAS ON cedeu 4,48%, mesmo com a alta do petróleo no exterior. A VALE ON recuou 2,36%, influenciada pela piora do humor dos investidores e pela queda nos futuros do minério de ferro na China. A volatilidade no mercado se acentuou significativamente.
Destaques Negativos e Positivos em Meio à Queda
Na ponta negativa, a YDUQS ON desabou 10,84%, liderando as quedas do índice, com ações sensíveis a juros entre as mais pressionadas. A AZZAS 2154 ON também afundou 9,96%, com notícias de que o fundo de pensão canadense CPPIB está vendendo parte de sua posição na empresa. A disparada das taxas dos contratos de DI também contribuiu para a pressão.
Em contrapartida, algumas poucas ações conseguiram se destacar positivamente. A WEG ON subiu 2,64%, enquanto KLABIN UNIT e SUZANO ON avançaram 1,47% e 1,94%, respectivamente. Esses ganhos ocorreram em um dia onde o dólar subiu mais de 2%, fechando a R$ 5,4346, refletindo o cenário de incerteza cambial e política.
Perspectiva de Juros e Cenário Eleitoral
Antes da forte queda, o Ibovespa renovou máxima histórica intradia, impulsionado pela perspectiva de manutenção dos cortes de juros nos Estados Unidos e pelo início previsto de um ciclo de redução da Selic no Brasil. No entanto, o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro reverteu o otimismo e intensificou a volatilidade no mercado.
A análise do mercado aponta para um período de maior instabilidade, à medida que os investidores tentam precificar os riscos associados ao próximo ciclo eleitoral. A previsibilidade econômica fica em segundo plano diante das incertezas políticas apresentadas.




