Itaúsa mantém participação estratégica no Itaú Unibanco e traça planos para diversificação e crescimento
A holding Itaúsa, um dos pilares do mercado financeiro brasileiro, celebrou seus 50 anos com um anúncio importante sobre sua estratégia de longo prazo. O CEO Alfredo Setubal reafirmou o compromisso da companhia com o Itaú Unibanco, afastando rumores de desinvestimento e consolidando a instituição financeira como a “âncora” do portfólio da holding. A declaração foi feita durante um evento na B3, onde Setubal detalhou os planos e desafios das empresas investidas.
A estratégia apresentada por Setubal combina a preservação de seus ativos mais consolidados com a busca por novas oportunidades de crescimento. O executivo abordou temas cruciais como a transformação digital, a competitividade frente às fintechs, a governança corporativa e a sustentabilidade, demonstrando um aprendizado contínuo com os erros do passado para moldar os próximos passos da Itaúsa. Essas informações foram divulgadas em matérias recentes sobre o grupo.
O posicionamento da Itaúsa reforça a confiança no modelo de negócios tradicional, adaptado às novas realidades do mercado. A holding busca equilibrar a solidez de suas participações com a inovação necessária para se manter relevante em um cenário em constante mutação, especialmente no setor financeiro e em suas outras áreas de atuação. A seguir, detalhamos os principais pontos apresentados pelo CEO.
Itaú Unibanco: A pedra angular da Itaúsa
Alfredo Setubal foi enfático ao afirmar que a Itaúsa não pretende reduzir sua participação de aproximadamente 37% no Itaú Unibanco. Ele descreveu o banco como a “âncora” do portfólio, um movimento que afasta especulações sobre desinvestimentos para acelerar a diversificação. Segundo o CEO, a concentração de risco, muitas vezes vista como um ponto de atenção, foi justamente o motor que permitiu o fortalecimento da holding ao longo das décadas.
O desempenho do Itaú Unibanco, mesmo diante da crescente concorrência das fintechs, foi destacado como sólido. Setubal reconhece a transformação digital no setor bancário, mas defende a robustez do modelo de banco universal do Itaú. A amplitude de serviços, que exige investimentos contínuos em tecnologia, compliance, atendimento e infraestrutura, é vista como um diferencial competitivo frente aos novos players do mercado.
O fim das agências físicas e o futuro digital
Em uma declaração contundente, Alfredo Setubal declarou que o modelo tradicional de agências físicas está “morto”. Ele ressaltou que a digitalização é um caminho irreversível e que continuará a guiar a estratégia do Itaú. As unidades físicas remanescentes terão um papel mais consultivo, enquanto as transações rotineiras serão integralmente migrada para o ambiente digital, otimizando a experiência do cliente e a eficiência operacional.
A internacionalização agressiva também foi descartada. Setubal explicou que, após a fusão com o Unibanco em 2008, a ideia de expansão global foi reavaliada. A Itaúsa compreendeu que não possui a mesma expertise digital de instituições que nasceram globais ou totalmente online. Portanto, a prioridade é fortalecer as operações nos mercados já existentes, com foco na eficiência e no ambiente regulatório brasileiro.
Crescimento expressivo de acionistas e foco em ESG
Um dado relevante apresentado foi o salto no número de acionistas pessoa física da Itaúsa. Desde 2015, a base de investidores individuais saltou de cerca de 40 mil para quase 1 milhão, acompanhando a tendência nacional de maior inclusão financeira e acesso facilitado a investimentos. Esse aumento na pulverização acionária reforça o papel da holding como referência de estabilidade e governança no mercado.
O compromisso com temas ESG (Ambiental, Social e Governança) foi outro ponto enfatizado. A Itaúsa pretende manter a liderança em práticas sustentáveis, apoiar negócios estratégicos, incentivar a inovação e promover ganhos de produtividade em parceria com suas empresas investidas. Essa agenda fortalece a competitividade e atende às crescentes exigências do mercado por transparência e responsabilidade socioambiental.
Alpargatas: Erros, aprendizados e a busca pela recuperação
Um dos momentos mais delicados da apresentação foi o reconhecimento dos erros na gestão da Alpargatas. A Itaúsa adquiriu participação na fabricante de calçados em 2017, mas, segundo Setubal, “se perdeu um pouco na gestão” nos anos seguintes. A aquisição da Rothy’s, nos Estados Unidos, foi mal recebida pelo mercado e impactou negativamente os resultados da companhia.
Com a chegada de Liel Miranda à liderança, a Alpargatas iniciou um processo de recuperação, com foco na reestruturação de processos e melhoria da eficiência operacional. Apesar de a empresa ainda gerar prejuízo para a holding, Setubal demonstrou confiança na capacidade de reversão dos resultados, aprendendo com os equívocos passados.
Perspectivas para Aegea e Copa Energia
O CEO sinalizou que a Aegea, empresa de saneamento, deve abrir capital em algum momento futuro. Embora não haja um cronograma definido, o IPO é visto como um passo natural para impulsionar o crescimento, especialmente após a expansão proporcionada pelo novo marco do saneamento. A abertura de capital da Copa Energia é considerada mais complexa, mas não está descartada caso haja necessidade de aporte para expansão.
Setubal também confirmou que a Itaúsa não pretende migrar para o Novo Mercado da B3, pois a estrutura atual atende às suas necessidades de governança. Além disso, descartou a expectativa de novos chamamentos de capital nos próximos anos, garantindo estabilidade financeira aos acionistas. A Itaúsa reafirma sua confiança no Brasil, apostando no longo prazo e em setores estruturais para o desenvolvimento econômico do país.




