Mercado financeiro em alerta: política brasileira e dados econômicos dos EUA ditam o ritmo dos negócios, enquanto Ibovespa conquista novo recorde.
O cenário econômico atual é marcado por um delicado equilíbrio entre otimismo interno e incertezas externas. Enquanto o Ibovespa celebra novas máximas históricas, impulsionado por expectativas de cortes na taxa de juros, a tensão política em Brasília e a divulgação de dados econômicos cruciais dos Estados Unidos mantêm os investidores em compasso de espera.
A possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de corte da Selic já em janeiro e a perspectiva de juros mais baixos nos EUA criam um ambiente de maior apetite ao risco. No entanto, o desenrolar das negociações políticas em Brasília e a interpretação dos indicadores vindos do mercado americano são fatores determinantes para a continuidade dessa tendência.
Neste contexto, o mercado acompanha de perto os desdobramentos em Brasília, especialmente em relação ao Orçamento de 2026, e os sinais que virão da economia americana, que podem influenciar diretamente as decisões de política monetária no Brasil e no mundo. Conforme informações divulgadas pelo BM&C News, o dia foi de forte alta para a bolsa brasileira.
Acordo no Orçamento 2026: um respiro para a articulação política
Um dos pontos de atenção do mercado foi a chegada a um acordo entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o calendário de pagamento das emendas parlamentares no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026. A negociação estabelece a liberação de uma parcela significativa das emendas, entre 60% e 66%, dentro de um cronograma definido.
Este avanço, que será votado nesta quarta-feira na Comissão Mista de Orçamento, é visto como um passo importante para destravar a votação do Orçamento de 2026, prevista para o dia seguinte. A superação deste impasse evita um cenário de travamento das emendas no início de 2026, similar ao ocorrido neste ano, e sinaliza uma capacidade de articulação do governo em meio a um clima político ainda deteriorado.
Clima político tenso: sabatina suspensa e indefinição
Apesar do acordo no Orçamento, o ambiente político segue conturbado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cancelou a sabatina de Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), citando uma “omissão grave” do governo. Aliados indicam que o diálogo entre o presidente Lula e Alcolumbre está difícil no momento, com a reacomodação política dependendo dos próximos dias.
Outro ponto de atenção é a aprovação, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), de um projeto que visa elevar tributos sobre setores como apostas online (bets), dividendos e fintechs. A proposta, que pode gerar até R$ 10 bilhões em arrecadação, reacende o debate sobre o imposto mínimo efetivo, com possíveis flexibilizações no Congresso.
Brasil e EUA: diálogo direto e agenda econômica global
Em uma frente internacional, o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomaram o diálogo direto. A segurança pública foi tema central da conversa, com Trump expressando otimismo sobre futuros acordos. Lula aproveitou para elogiar o recuo dos EUA em tarifas sobre produtos brasileiros, mas também cobrou avanços em outros segmentos comerciais.
No radar econômico global, o foco principal está nos indicadores norte-americanos. A divulgação de dados como o Índice de Preços ao Produtor (IPP), pedidos semanais de auxílio-desemprego e o relatório de empregos (payroll) podem reforçar a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) na próxima semana, cuja probabilidade já é estimada em cerca de 90% pelo mercado.
Ibovespa em alta: o que impulsionou o mercado?
O Ibovespa fechou a terça-feira em alta de 1,56%, atingindo 161.092 pontos, impulsionado por uma combinação de fatores. A expectativa de política monetária mais branda nos EUA e a possibilidade de o Copom iniciar o corte da Selic em janeiro foram cruciais para o otimismo do mercado. A superação do impasse nas negociações do Orçamento em Brasília também contribuiu para o movimento de maior apetite a risco.
Destaques do pregão incluíram a alta de ações de empresas ligadas a commodities e o bom desempenho de algumas empresas do setor financeiro. A Petrobras, por exemplo, anunciou um plano de dobrar a aposta em refino, sinalizando uma nova fase de crescimento. A volta da bandeira amarela na conta de energia elétrica, com projeções de inflação dentro da meta em 2025, também foi um ponto positivo.




