Alimentação no domicílio impulsiona IPCA em 2025, mas cenário muda em 2026
A inflação da alimentação no domicílio surpreendeu positivamente em 2024, contribuindo para a desinflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e projetando fechamento abaixo da meta de 4,5%. No entanto, as projeções para 2025 e 2026 indicam que este cenário favorável pode não se repetir, especialmente devido à dinâmica da carne bovina.
A queda nos preços de alimentos, impulsionada por fatores como a apreciação cambial, boas safras e a redução nos preços de commodities, foi um dos grandes destaques do ano. Cinco meses consecutivos de queda nos preços do subgrupo foram observados de junho a outubro, algo que surpreendeu o mercado.
Contudo, a partir de 2025, a expectativa é de uma nova configuração. A carne bovina, em particular, deve voltar a pressionar os preços, em linha com o ciclo do boi e o dinamismo das exportações. A análise é baseada em informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo.
Fatores que Modararam a Inflação Alimentícia em 2024
Diversos elementos contribuíram para a trajetória de moderação na alimentação no domicílio ao longo de 2024. A valorização do real frente a outras moedas, aliada a um período de abundância nas colheitas e a queda nos preços de commodities agrícolas, criaram um ambiente propício para a redução dos custos para o consumidor.
Além disso, o chamado “tarifaço”, que visou aumentar a oferta interna de produtos, também desempenhou um papel importante. O resultado foi uma sequência de cinco meses de deflação no subgrupo alimentação no domicílio, entre junho e outubro, segundo dados do IPCA.
O economista João Fernandes, da Quantitas, destacou que este foi um dos anos de maior surpresa para baixo em alimentos em muito tempo. Ele ressalta que o mercado esperava uma reversão dos preços para o campo positivo mais cedo, o que não ocorreu, evidenciando a força da queda.
Projeções para 2025: Carne Bovina e Câmbio em Foco
Para 2025, as projeções indicam um cenário diferente. A alimentação no domicílio, que acumulava alta de 4,53% até outubro, deve sentir a pressão do aumento no preço da carne bovina. Fernandes, que prevê alta de 2% para o subgrupo no ano, ajustou sua projeção para 2026 de 5,5% para 4,9%, citando a dinâmica do boi gordo como fator chave.
A expectativa é de que o preço da carne fique mais alto em 2026, mas o momento exato dessa inflexão é incerto. Havia uma expectativa de redução no abate de fêmeas no segundo semestre de 2024, que não se concretizou, adiando essa perspectiva para o primeiro semestre de 2025.
Fabio Romão, economista da 4intelligence, concorda que o cenário benigno de 2024 dificilmente se repetirá em 2025. Ele estima uma alta de 1,7% para as carnes em 2025, após uma elevação de 20,8% em 2024, projetando uma nova alta para 6,9% em 2026. A apreciação recente do câmbio, que ajudou em 2024, não deve se repetir no próximo ano.
Desafios e Outros Setores em Atenção para a Inflação Alimentícia
Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, também reduziu sua projeção para a alimentação no domicílio em 2025, para cerca de 2,5%, ante 6% no início do ano. A dinâmica mais comportada dos preços da carne bovina foi um dos principais determinantes dessa revisão.
No entanto, para 2026, Angelo projeta uma alta de 6% para o subgrupo. A economista explica que a expectativa de que preços relativos muito baixos de itens como feijão, arroz e leite se mantenham por mais um ano é improvável. A elevação do preço da carne bovina também é esperada.
Outros pontos de atenção para a inflação de alimentos em 2025 e 2026 incluem as categorias de frutas, leites e derivados, e óleos e gorduras, segundo Romão. A taxa de câmbio, estimada em R$ 5,40 para ambos os anos pela Warren, não deve ser um peso tão grande na inflação de alimentos em 2025, mas pode influenciar em 2026.





