Controvérsia sobre asilo de afegão suspeito de tiroteio: Governo Trump aponta falhas, mas histórico revela concessão sob gestão anterior.
Autoridades ligadas ao governo do ex-presidente Donald Trump criticaram nesta quinta-feira (27) a administração Biden por supostas falhas na verificação de antecedentes de um imigrante afegão suspeito de atirar em dois membros da Guarda Nacional em Washington. No entanto, informações de arquivo do governo dos EUA, obtidas pela Reuters, revelam que o suspeito, Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos, recebeu asilo em 23 de abril deste ano, durante a gestão de Trump.
Lakanwal entrou nos Estados Unidos em 8 de setembro de 2021, como parte da Operação Allies Welcome, um programa de reassentamento criado pelo então presidente Joe Biden após a caótica retirada militar dos EUA do Afeganistão em agosto de 2021. A evacuação em massa levou ao rápido colapso do governo afegão e à tomada do país pelo Talibã.
O diretor do FBI, Kash Patel, e a procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, ambos nomeados por Trump, alegaram em coletiva de imprensa que o governo Biden falhou em realizar verificações de antecedentes adequadas e em fazer a triagem de Lakanwal antes de sua entrada no país. Contudo, nenhuma evidência foi apresentada para sustentar tais afirmações. Patel declarou que Lakanwal, que trabalhou com forças do governo dos EUA durante a guerra no Afeganistão, foi indevidamente autorizado a entrar nos EUA, pois o governo anterior teria permitido a entrada de milhares de pessoas sem verificações de antecedentes.
Suspeito com histórico de trabalho com EUA teve asilo aprovado em 2024
Segundo o programa Operation Allies Welcome, afegãos admitidos nos EUA recebiam uma liberdade condicional de dois anos, permitindo-lhes viver e trabalhar legalmente, com a possibilidade de solicitar status mais permanente posteriormente. O arquivo governamental indica que Lakanwal solicitou asilo em dezembro de 2024 e sua aprovação ocorreu em 23 de abril deste ano, três meses após a posse de Trump. Lakanwal, residente no Estado de Washington, não possuía histórico criminal conhecido.
O registro governamental sobre Lakanwal detalha que ele foi examinado pelos EUA devido ao seu trabalho com parceiros do governo norte-americano durante a guerra no Afeganistão, e nenhuma informação desqualificante foi encontrada. A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou que o indivíduo “nunca teria estado aqui se não fosse pelas políticas perigosas de Joe Biden”.
Diretor da CIA confirma trabalho do suspeito com forças americanas
O diretor da CIA, John Ratcliffe, confirmou em comunicado que Lakanwal trabalhou com unidades locais apoiadas pela CIA no Afeganistão. Ratcliffe declarou que o governo Biden justificou a entrada do suspeito nos EUA em setembro de 2021 com base em seu trabalho anterior com o governo dos EUA, incluindo a CIA, como membro de uma força parceira em Kandahar. Ele acrescentou que “esse indivíduo — e tantos outros — nunca deveria ter sido autorizado a vir para cá”.
O tiroteio contra tropas americanas em solo dos EUA por um imigrante tem fortes implicações políticas, especialmente para a narrativa de Trump sobre imigração. Ele fez da repressão à imigração um pilar de seu mandato, e este caso pode intensificar o debate sobre a verificação de imigrantes, indo além da legalidade.
Trump ordena revisão de casos de afegãos e suspende pedidos de imigração
Em uma mensagem de vídeo, Trump classificou Lakanwal como “animal” e os tiroteios como “um ato de terror”. Ele solicitou uma nova revisão de todos os cidadãos afegãos que entraram nos EUA durante o governo Biden. Consequentemente, todos os pedidos de imigração de cidadãos afegãos foram suspensos pelo governo Trump na noite de quarta-feira. A porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Tricia McLaughlin, informou que o governo Trump revisará todos os casos de asilo da era Biden, ampliando uma revisão já em andamento de refugiados da era Biden.
O incidente também reacendeu críticas do governo Trump à caótica retirada dos EUA do Afeganistão em 2021, que levou a um colapso governamental mais rápido do que o previsto e gerou preocupações republicanas sobre a possível infiltração de terroristas nos EUA.





