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h2>A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) se destaca nacionalmente com uma rara queda na prévia da inflação em novembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apresentou um recuo de 0,05% na área, resultado influenciado principalmente pela redução nos preços da gasolina e da energia elétrica residencial. Este cenário contrasta com o restante do país, consolidando a Grande BH como um ponto de alívio para os consumidores neste final de ano.O impacto positivo na inflação da RMBH foi puxado, em grande parte, pela desvalorização de 3,13% no preço da gasolina, que contribuiu com um impacto negativo de 0,16 ponto porcentual no índice. O etanol também seguiu a tendência de queda, com uma redução de 3,3%, embora seu efeito no cálculo tenha sido menor, de -0,02 p.p. No setor de habitação, a energia elétrica residencial teve uma queda significativa de 1,49%, representando um recuo de 0,06 ponto porcentual no indicador geral.
Segundo o economista Paulo Casaca, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), o cenário é explicado por uma combinação de fatores. A época de chuvas, que influencia diretamente a bandeira tarifária de energia elétrica, e as diferenças na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina entre os estados, contribuem para o movimento de queda observado no combustível em todo o país.
Casaca explica que, embora a mudança da bandeira tarifária de nível 2 para 1 tenha ocorrido em todo o Brasil, os movimentos de queda nos preços da energia variaram entre os estados. Da mesma forma, a incidência de ICMS sobre a gasolina, que difere em cada unidade da federação, resulta em variações distintas no preço final ao consumidor.
Grupos que puxaram a deflação na Grande BH
Cinco dos nove grupos pesquisados para o cálculo do IPCA-15 registraram **deflação na capital mineira** em novembro. Os setores que apresentaram queda nos preços foram: artigos de residência (-1,21%), transportes (-0,41%), habitação (-0,32%), comunicação (-0,21%) e alimentação e bebidas (-0,2%).
O levantamento, que abrange 11 regiões metropolitanas brasileiras, aponta a capital mineira como líder entre as cidades que apresentaram deflação ou a menor inflação no mês. Curitiba, com 0,03%, e Salvador, com 0,04%, aparecem em seguida.
Alimentos e Transportes: Cenários Divergentes
No grupo de alimentação e bebidas, alguns itens registraram **reduções expressivas de preço**, como a banana-prata (-16,44%), o tomate (-9,08%) e o alho (-8,79%). Em contrapartida, outros produtos tiveram alta, destacando-se a batata inglesa (18%), a mandioca (17,63%) e o brócolis (6,37%). No setor de transportes, o **aumento de 15,51% na passagem aérea** chamou a atenção.
Tendência de Desaceleração da Inflação
Apesar de o IPCA-15 nacional ter registrado um aumento de 0,2% em novembro, ligeiramente acima das expectativas de 0,18% dos analistas, Paulo Casaca aponta para uma tendência de desaceleração da inflação nos próximos meses. Ele ressalta que a energia elétrica é um indicador fácil de projetar, com a expectativa de novas mudanças na bandeira tarifária à medida que o período chuvoso aumenta o nível dos reservatórios.
O economista também observa que, no final do ano, é comum um leve aumento nos preços de alimentos e bebidas devido às festividades, o que pode gerar um “repique na inflação”, mas a tendência geral aponta para uma continuidade da desaceleração.
No acumulado do ano, a Grande BH registra uma alta de 3,73%, um índice abaixo da média nacional de 4,15%, reforçando o desempenho positivo da região na contenção da inflação.





