Tarifaço Americano Devasta Exportações Químicas Brasileiras para os EUA: Abiquim Alerta para Queda de US$ 400 Milhões e Busca Respostas do Governo

Queda nas Exportações Químicas para os EUA: Abiquim Revela Prejuízos e Pede Ação Urgente

As exportações brasileiras de produtos químicos para os Estados Unidos sofreram um baque considerável devido às tarifas impostas pelo governo americano. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o valor exportado despencou de aproximadamente US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão, representando uma perda de US$ 400 milhões.

Essa redução expressiva já reflete os efeitos do primeiro ciclo do chamado “tarifaço” norte-americano. A Abiquim tem atuado ativamente junto às autoridades americanas, apresentando dados e argumentos que contestam a necessidade e a fundamentação dessas medidas para o setor químico brasileiro.

A entidade destaca que os Estados Unidos, por outro lado, mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil no setor, importando mais do que exportando. Diante desse cenário, a Abiquim busca agora apoio do governo brasileiro para mitigar os impactos negativos dessas tarifas.

Abiquim Contesta Fundamentos da Tarifa e Apresenta Dados de Comércio

O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, enfatizou que a associação já se manifestou formalmente perante o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) durante a consulta pública da Seção 301. Na ocasião, foram apresentadas informações sobre os rigorosos mecanismos de conformidade adotados pela indústria química brasileira.

A Abiquim reafirmou o compromisso do setor com elevados padrões de governança, responsabilidade social e respeito aos direitos humanos. A entidade defende que quaisquer medidas comerciais devem ser baseadas em critérios técnicos e objetivos, algo que, segundo a associação, não se aplica ao caso em questão.

Os dados comerciais reforçam o argumento da Abiquim. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil, enquanto as importações brasileiras para os EUA somaram pouco mais de US$ 2 bilhões. Esse desequilíbrio resulta em um superávit comercial superior a US$ 9 bilhões em favor dos EUA.

Preocupação Global: Indústria Química Americana Também Critica as Tarifas

A avaliação negativa sobre as tarifas não é exclusiva da indústria brasileira. O American Chemistry Council (ACC), principal entidade representativa do setor químico nos Estados Unidos, também expressou preocupação. Em carta enviada ao USTR, o ACC alertou que tarifas amplas sobre produtos brasileiros podem elevar custos para diversos setores da economia americana.

Adicionalmente, o ACC pontuou que tais medidas podem enfraquecer cadeias produtivas e dificultar os esforços de reindustrialização dos próprios Estados Unidos. Essa convergência de opiniões entre as associações de ambos os países evidencia a falta de justificativa econômica para as sobretaxas aplicadas.

Governo Brasileiro Lança Medida Provisória e Abiquim Busca Acesso a Crédito

Em resposta ao agravamento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, o governo federal editou a Medida Provisória Brasil Soberano III, visando ampliar o apoio às empresas brasileiras afetadas. A Abiquim avalia positivamente essa iniciativa e solicitou ao governo que o segmento químico seja enquadrado no grupo de atividades diretamente impactadas.

O objetivo é garantir o acesso às linhas de crédito previstas no programa, que podem oferecer um alívio financeiro importante para as empresas que sofrem com a redução das exportações. André Passos Cordeiro ressaltou que a regulamentação da medida precisa ser clara e ágil.

“A iniciativa do governo representa um importante instrumento de mitigação dos impactos das tarifas. Agora, é fundamental que a regulamentação esclareça rapidamente os procedimentos de acesso às linhas de crédito, permitindo que os recursos cheguem às empresas com agilidade”, afirmou Cordeiro.

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