STF em Foco: Candidatos da Direita Miram Corte, Ministros Divididos em Reação e Nova Crise Interna

STF sob ataque: pré-candidatos da direita elevam tom contra ministros, gerando cisão na Corte e debate sobre estratégia de defesa

A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se um palco de batalha política, com pré-candidatos da direita em 2026 utilizando críticas à corte como plataforma de campanha. Essa escalada de ataques tem gerado um intenso debate interno entre os ministros do STF, que se dividem sobre a melhor forma de responder e proteger a imagem da instituição.

Enquanto parte da corte defende uma postura mais combativa e transparente, outra ala prefere a discrição e o silêncio para evitar aprofundar o desgaste. Os recentes episódios envolvendo o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) acenderam o alerta no Supremo, evidenciando a polarização sobre como lidar com as investidas políticas.

As divergências internas foram expostas com a proposta de indiciamento de magistrados pelo senador Vieira e a série de vídeos críticos ao STF publicada por Zema. Esses eventos colocam em xeque a unidade da corte e a sua capacidade de navegar em um cenário eleitoral cada vez mais hostil, conforme apurado pela Folha de S.Paulo.

Gilmar Mendes lidera ala defensora de confronto direto contra críticas ao STF

Um grupo de cinco ministros, capitaneado por Gilmar Mendes, acredita que o STF precisa adotar uma postura mais incisiva. Eles defendem posicionamentos públicos claros, com demonstrações de intransigência diante de ataques e a exposição das possíveis consequências legais. Essa ala entende que fugir dos holofotes pode ser interpretado como fraqueza.

Gilmar Mendes, em particular, tem sido vocal em suas críticas. Após a divulgação do relatório da CPI do Crime Organizado, o decano do STF proferiu um discurso contundente e representou na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade. Em seguida, em entrevista, pediu a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news, declarando em redes sociais que enfrentará a “indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo”.

Acompanham Gilmar Mendes nessa visão os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Eles compartilham a preocupação de que os ataques ao STF se tornem um trunfo eleitoral para candidatos da direita, especialmente para aqueles alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, até mesmo aliados de Gilmar expressam preocupação com o tom de suas declarações, temendo que ironias e provocações possam reforçar discursos de perseguição política.

Fachin prega discrição e autocontenção, divergindo da estratégia de Gilmar

Em contrapartida, o presidente do STF, Edson Fachin, lidera um grupo de cinco ministros que defendem uma postura mais autocontida e discreta. Eles acreditam que a melhor estratégia é evitar os holofotes e submergir diante das polêmicas geradas pelos pré-candidatos, focando na manutenção da serenidade institucional.

Ao lado de Fachin estão Cármen Lúcia, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Este grupo avalia que as reações mais efusivas de Gilmar Mendes e Flávio Dino expuseram ainda mais a corte em meio à crise de imagem. Eles também percebem uma busca por protagonismo por parte de Gilmar e Dino em discussões institucionais, como o pacto para restringir penduricalhos e reformas no Judiciário.

O grupo de Fachin tem sinalizado que a insistência do presidente em um código de conduta para ministros e declarações sobre a responsabilidade dos juízes pelos seus erros, somadas a respostas institucionais consideradas lentas, aumentam a vulnerabilidade do tribunal. A divergência se estende ao inquérito das fake news, com Fachin defendendo o encerramento da investigação a curto prazo, enquanto Gilmar vê a necessidade de mantê-lo ativo para conter ataques na campanha eleitoral.

TSE sob Kassio Nunes Marques: estratégia minimalista para 2026

As divergências entre as alas do STF também devem se manifestar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá Kassio Nunes Marques como presidente a partir de maio. Ao contrário da atuação mais intervencionista de Alexandre de Moraes em 2022, Kassio Nunes Marques tende a adotar uma estratégia mais minimalista para as eleições de 2026.

Interlocutores de Kassio indicam que ele considera muitos dos conteúdos tidos como ataques ao STF como mero exercício da liberdade de expressão. A visão é de que o debate público durante as eleições deve fluir sem grandes interferências do TSE, exceto em casos de extrema gravidade, sinalizando uma abordagem diferente na proteção da corte durante o período eleitoral.

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