Refugiados em BH: Trabalho Temporário Abre Portas Para Recomeço e Cidadania

Refugiados encontram no trabalho a ponte para um novo começo no Brasil
Em um mundo cada vez mais marcado por deslocamentos forçados, a busca por oportunidades de trabalho surge como um farol de esperança para refugiados que chegam ao Brasil. Em Belo Horizonte, iniciativas como o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR-BH) e o Projeto Ler da PUC Minas têm sido fundamentais para conectar esses indivíduos ao mercado de trabalho formal, promovendo não apenas a subsistência, mas também a dignidade e a reconstrução de suas vidas.
Essas histórias de resiliência e determinação são celebradas no Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho. Pessoas como a venezuelana Digna Ocanto Medina e o também venezuelano Elvys Ramírez, que deixaram seus países em busca de segurança e melhores condições, encontram em Belo Horizonte um novo lar. Apesar dos desafios, como a barreira do idioma, a busca por trabalho temporário informal é uma realidade para complementar a renda e dar os primeiros passos rumo à autonomia.
O trabalho temporário se consolida como uma via de acesso rápido e formal ao mercado, aproximando empresas de profissionais qualificados e contribuindo para a reinserção social e econômica. Essa integração beneficia tanto os refugiados, que reencontram a dignidade e a independência financeira, quanto as empresas, que ampliam seu acesso a mão de obra qualificada e diversificam seus quadros com profissionais de diferentes vivências e idiomas. Conforme informações divulgadas pelo Diário do Comércio, o trabalho temporário tem um papel relevante na inclusão de pessoas refugiadas, permitindo uma inserção mais rápida no mercado formal.
A importância do trabalho temporário para a inclusão e o desenvolvimento
Alexandre Leite Lopes, presidente da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), destaca que o trabalho temporário é crucial para a inclusão de refugiados. Ele ressalta que, para muitos, é o primeiro emprego no Brasil, um passo fundamental para a conquista da autonomia financeira e a reconstrução de suas vidas. Profissionais refugiados demonstram grande comprometimento com as oportunidades recebidas, agregando valor tanto para as empresas quanto para a sociedade.
Lopes também aponta que a contratação de refugiados ajuda a suprir a escassez de mão de obra em diversos setores. Além disso, a diversidade cultural e linguística que esses profissionais trazem enriquece o ambiente de trabalho, impulsiona a troca de conhecimento e fomenta a inovação nas equipes. A experiência e as múltiplas competências desses indivíduos são um trunfo valioso.
SJMR-BH: Uma ponte para o mercado de trabalho e a cidadania
O Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados em Belo Horizonte (SJMR-BH) desempenha um papel vital como intermediador entre refugiados e empresas parceiras. Desde 2013, a organização oferece serviços gratuitos, incluindo a regularização de documentos, auxiliando na reintegração e garantia de direitos. Segundo Tábatha Costa, analista social do SJMR-BH, a iniciativa busca promover o desenvolvimento e o crescimento dos migrantes dentro das empresas, com uma perspectiva de longo prazo para a reconstrução de suas vidas no Brasil.
A instituição realiza reuniões de sensibilização com as empresas parceiras, apresentando os serviços e as pautas sociais que norteiam seu trabalho. Tábatha Costa enfatiza que, embora muitos refugiados cheguem em situação de vulnerabilidade, eles possuem qualificações e formação em seus países de origem. Somente em 2025, o SJMR-BH realizou cerca de 5300 atendimentos a migrantes e refugiados de 53 nacionalidades, com venezuelanos liderando a procura.
Projeto Ler: Português como porta de entrada para direitos e cultura
O Projeto Ler, uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUC Minas em parceria com o SJMR, oferece círculos de leitura e escrita, ensinando o português a refugiados e migrantes. Desde 2017, mais de três mil pessoas de 20 nacionalidades já passaram pelo projeto. Sandra Cavalcante, fundadora do projeto, explica que a aprendizagem do português é fundamental para que os estrangeiros compreendam seus direitos e acessem serviços como educação e saúde pública, além de ser uma ponte para a cultura brasileira.
A professora Sandra Cavalcante ressalta que o Brasil perde oportunidades econômicas ao não reconhecer diplomas de países de origem, o que impede a integração de profissionais qualificados no mercado de trabalho. A preparação para acolher pessoas em deslocamentos migratórios forçados é uma agenda cada vez mais urgente e necessária.
Direitos trabalhistas: Refugiados têm as mesmas garantias que brasileiros
Laura Diamantino Tostes, especialista em direito trabalhista, esclarece que trabalhadores refugiados contratados sob o regime da CLT possuem os mesmos direitos trabalhistas dos brasileiros. A nacionalidade não pode ser motivo de discriminação, garantindo-lhes jornada de trabalho, férias, 13º salário, FGTS e outros benefícios. Para trabalhar legalmente, é necessário possuir a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), emitida com base no CPF ou no Protocolo de Solicitação de Refúgio.
É fundamental que os trabalhadores refugiados sejam tratados com igualdade, sem qualquer forma de assédio ou discriminação, tanto por parte dos empregadores quanto dos colegas de trabalho. A garantia desses direitos é essencial para uma integração justa e digna.