Minas Gerais: Endividamento Dispara e Atinge Pico de 5 Anos com Mais de 30 Milhões de Dívidas e 7,8 Milhões de Inadimplentes

Endividamento em Minas Gerais alcança o maior patamar dos últimos cinco anos, com mais de 30 milhões de dívidas registradas.

Os mineiros enfrentam um cenário financeiro desafiador, com um número recorde de dívidas acumuladas. Em março deste ano, os consumidores do estado somavam mais de 30 milhões de parcelamentos e outros compromissos financeiros, um montante que representa o maior volume dos últimos cinco anos. Esse dado, segundo levantamento da Serasa Experian, indica um crescimento de 49,4% em relação ao mesmo período de 2021.

O valor total dessas dívidas em Minas Gerais chega a R$ 52,65 bilhões. Mais preocupante ainda é o número de inadimplentes, que atingiu 7,87 milhões de pessoas em março. Isso representa um aumento de 8,7% comparado a março de 2025, quando o estado contabilizava 7,24 milhões de cidadãos com restrições em órgãos de proteção ao crédito.

Esses números preocupantes, conforme análise do consultor financeiro Erasmo Vieira, especialista em inteligência financeira, refletem um grande contingente de pessoas que já comprometeram seus ganhos sem ter segurança sobre a renda futura. “É um dado preocupante, principalmente porque a renda futura já será comprometida por conta da inflação, ou seja, vai sobrar menos dinheiro para as pessoas pagarem essas dívidas”, alerta Vieira.

O peso da inflação e o aperto no orçamento familiar

O consultor financeiro Erasmo Vieira destaca que a inflação tem corroído o poder de compra das famílias, tornando o pagamento das dívidas ainda mais difícil. “Muitas pessoas, hoje, choram quando recebem o salário, porque o dinheiro mal cai na conta e elas já começam a fazer uma engenharia financeira para pagar as dívidas, na esperança de que reste algo para sobreviverem ao longo do mês”, descreve.

A situação é agravada pela alta taxa de juros, que Vieira compara a um “cupim chamado juros” corroendo o orçamento. A projeção de mercado indica que a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, terá um leve corte para 14,5% nesta quarta-feira (29), mas para o fim de 2026, a expectativa é de que permaneça em 13% ao ano. “Os juros vão para as instituições financeiras e não circulam na economia. Nesse sentido, vale enfatizar que o endividamento não afeta somente o indivíduo, mas toda a cadeia econômica”, explica.

Diagnóstico e planejamento: os primeiros passos para sair do vermelho

Para enfrentar o crescente volume de pendências, Vieira ressalta a importância de um diagnóstico financeiro detalhado. “Fazer um levantamento do que se deve, por pior que seja o resultado, é o primeiro passo para encarar o problema de frente. É por meio desse check-up que o indivíduo vai conhecer sua realidade financeira e compreender o peso de suas dívidas”, orienta.

O especialista enfatiza que renegociar dívidas sem um planejamento sólido é um erro grave. “É um equívoco aceitar qualquer negociação sabendo que você não terá como cumpri-la. Quem faz isso cria uma bola de neve. Portanto, se não pode honrar com um prazo renegociado, não renegocie”, aconselha.

Empréstimos emergenciais: uma solução temporária, não definitiva

Soluções emergenciais, como a contratação de novos empréstimos para quitar dívidas existentes, podem mascarar o problema sem resolvê-lo de fato. “Quem age assim apenas maquiou a situação. Empréstimo não é solução para a dívida. É só outra dívida”, conclui Vieira, reforçando a necessidade de um planejamento financeiro realista e sustentável para lidar com o endividamento em Minas Gerais.

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